Flávio perde capital político após fuga e abre espaço na direita

Posted by

–


Flávio Bolsonaro recebeu 59,8 milhões de votos, mas a derrota para Lula foi seguida por divergências com o PL e pela saída do Brasil, apesar de uma ordem judicial para não deixar o país. (Foto: Instagram)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou a eleição presidencial com 59,8 milhões de votos e 48,21% dos válidos, mas a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com 51,79%, foi seguida por uma sequência de atritos políticos. A tentativa de contestar o resultado, o desacordo com o PL e a saída do Brasil apesar de uma ordem judicial enfraqueceram sua busca pela liderança da oposição, justamente quando partidos, governadores e congressistas se reorganizam para o novo mandato.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

No domingo (25.out.2026), após a apuração, Flávio anunciou que questionaria a validade da eleição, apesar de Lula ter vencido por mais de 4,4 milhões de votos. Na 2ª feira (26.out), recuou da ideia de pedir a anulação e passou a defender uma ação por suposto abuso de poder político e econômico da campanha petista. No mesmo dia, o PL, presidido por Valdemar Costa Neto, reconheceu o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral, contrariando a reação inicial do candidato.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

Ainda na 2ª feira, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Flávio foi intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes e recebeu ordem para não deixar o país. Ele disse que cumpriria a determinação e que nunca pensara em sair do Brasil, mas deixou o território nacional sem entregar os documentos. Depois de receber a visita do advogado Frederick Wassef, um comboio saiu de sua casa, em Brasília, às 19h42; não foi possível confirmar se o senador ou familiares estavam nos carros. Na noite de 3ª feira (27.out), ele cruzou a fronteira com a Argentina com a mulher e as duas filhas. A família seguiu em avião particular para os Estados Unidos, com escala no Equador. Os passaportes foram cancelados, e a PF investigou a viagem. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, afirmou que não havia sido avisado e que recebeu uma mensagem de Flávio dizendo que iria “dar um tempo”.

Já nos Estados Unidos, na 4ª feira (28.out), Flávio divulgou um manifesto dirigido aos brasileiros e à comunidade internacional. A versão enviada a jornalistas às 16h43 o chamou de “verdadeiro presidente eleito do Brasil”; após corrigir o brasão da República, ele publicou às 17h51 uma 3ª versão, trocando a expressão por “líder do Brasil” e alterando “eu sou o presidente eleito” para “eu sou o líder”. Apesar das mudanças, manteve alegações de fraude sem apresentar provas e disse que comandaria a oposição dos Estados Unidos. Citou a extensão da votação até as 19h, embora apenas 34.808 votos tenham sido registrados depois das 17h, número insuficiente para mudar o resultado. A própria campanha de Flávio também havia solicitado a ampliação do horário.

A saída sem aviso prévio a aliados próximos e o reconhecimento da eleição pelo PL evidenciaram dificuldades de coordenação. A permanência nos Estados Unidos pode afastar Flávio das negociações presenciais com congressistas e governadores. A derrota também diminuiu o peso da família Bolsonaro nas discussões sobre o futuro de Jair Bolsonaro: uma vitória do filho poderia ampliar sua influência, mas uma eventual soltura do ex-presidente depende de decisões judiciais. Enquanto isso, Tarcísio de Freitas reconheceu o resultado em vídeo na 3ª feira (27.out) e defendeu a atuação da oposição. No mesmo dia, Michelle Bolsonaro se reuniu com Valdemar Costa Neto na sede do PL, em Brasília, em encontro previamente marcado sobre o futuro do partido; a coincidência não significa que a reunião tenha sido motivada pela viagem.

Na 6ª feira (30.out.2026), Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama e senadora eleita pelo Distrito Federal, divulgou uma mensagem em nome de Jair Bolsonaro pedindo união entre os aliados: “união e não de procurar culpados”. Ela afirmou que o ex-presidente agradecia o empenho dos apoiadores e rejeitava acusações pela derrota dirigidas a Tarcísio de Freitas (Republicanos), Nikolas Ferreira (PL), Damares Alves (Republicanos) e Silas Malafaia. Na 5ª feira (29.out), o The New York Times informou que Jason Miller, conselheiro do presidente Donald Trump (Partido Republicano), providenciou o avião particular usado pelo senador; Trump também autorizou a entrada temporária de Flávio e da família nos Estados Unidos. Marinho segue defendendo que Flávio lidere a oposição à distância, e o senador diz que fará pronunciamentos regulares e mobilizará apoiadores. Seu desafio será manter espaço político e coordenar a direita no Brasil a partir do exterior: os quase 60 milhões de votos mostram a dimensão de seu apoio, mas não garantem essa liderança.