
Justiça argentina ordena que órgãos do governo preservem imagens que podem registrar a passagem de Flávio Bolsonaro pelo país. (Foto: Instagram)
A Justiça Federal da Argentina ordenou que órgãos do governo de Javier Milei mantenham preservadas imagens de câmeras de segurança que possam ter registrado a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo país, antes de sua viagem aos Estados Unidos. A decisão, divulgada pelo jornal argentino Clarín na 5ª feira (29.out.2026), busca apurar se houve auxílio irregular para que ele deixasse o Brasil.
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A determinação foi assinada pela juíza federal María Eugenia Capuchetti, a pedido da procuradora Paloma Ochoa. A apuração pretende verificar se o governo argentino ajudou Flávio a sair do Brasil apesar de uma decisão judicial que o proibia de deixar o território brasileiro.
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O pedido foi enviado à Direção Nacional de Migrações, à Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro, à Polícia de Segurança Aeroportuária e à Gendarmaria Nacional. Entre os registros que deverão ser preservados estão imagens da Ponte Internacional Tancredo Neves, na fronteira com o Brasil, e do aeroporto de Puerto Iguazú.
A ordem trata da conservação das gravações e não exige que elas sejam entregues imediatamente à Justiça. A magistrada também pediu os registros migratórios do senador e informações sobre possíveis solicitações de cooperação internacional relacionadas à situação judicial dele.
Segundo o Clarín, Flávio chegou à Argentina com a mulher e as 2 filhas às 22h50 de 3ª feira (27.out.2026). Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, embarcou em uma aeronave da empresa Baires Fly. O voo tinha como destino o Equador, com os Estados Unidos como etapa posterior da viagem.
A apuração começou após denúncias do legislador Gabriel Solano e do deputado Esteban Paulón, que pedem investigação sobre uma possível participação de autoridades argentinas na saída do senador do Brasil. As representações mencionam Milei, o chanceler Pablo Quirno, a ministra da Segurança Alejandra Monteoliva e o assessor presidencial Santiago Caputo, que esteve na província de Misiones durante a passagem de Flávio.
O senador deixou o país depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno das eleições, em 25 de outubro. Flávio recebeu 48,21% dos votos válidos, contra 51,79% de Lula. A viagem ocorreu apesar da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que proibia Flávio de sair do Brasil e exigia a entrega de seus passaportes. As denúncias foram reunidas em um único procedimento, e a Justiça argentina ainda analisa se abrirá formalmente uma investigação criminal.
