
Luciana Santos afirma que programa do governo ajudou a evitar a fuga de cérebros e destaca investimentos em ciência e tecnologia. (Foto: Instagram)
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PC do B), de 60 anos, afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou a fuga de cérebros com um programa para atrair e manter talentos científicos, realizado de 2023 a 2026. A iniciativa é vinculada ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Segundo ela, mais de 2.500 cientistas retornaram ao Brasil ou participaram de desafios em rede no exterior.
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Em entrevista concedida em seu gabinete, em Brasília, na quarta-feira (28.out.2026), Luciana também abordou os desafios de financiamento do ministério. Ela apontou o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) como mecanismo para garantir recursos sem depender das variações do Orçamento da União. Os recursos do fundo vêm da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). A ministra afirmou que, entre 2023 e 2026, foram investidos R$ 53 bilhões.
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A ministra também destacou ações para diminuir a dependência de tecnologias estrangeiras em áreas estratégicas, como semicondutores, microchips, inteligência artificial e terras raras. Segundo ela, o país precisa evitar repetir um modelo baseado na exportação de matérias-primas e na importação de produtos manufaturados. A meta, disse, é dominar as etapas de separação, extração e refinamento, além da produção de insumos importantes para a economia atual.
Entre as iniciativas citadas está um edital para comprar um supercomputador destinado a Macaíba (RN), na região metropolitana de Natal. A expectativa é que o equipamento fique entre os 10 mais potentes do mundo. Luciana também mencionou a aquisição de um computador quântico em conjunto com o governo da Paraíba. Sobre terras raras, afirmou que o Brasil tem patentes relacionadas à separação desses materiais e jazidas. Um edital de R$ 5 bilhões, realizado com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), busca incentivar o processamento de minérios no país. A demanda apresentada por universidades e empresas privadas chegou a R$ 85 bilhões, R$ 80 bilhões acima do valor previsto.
Na área de inteligência artificial, a ministra citou o SoberanIA, plataforma de dados com um modelo de linguagem em português. O sistema reúne mais de 200 bilhões de palavras, incorporadas a partir de dados do governo. Ela acrescentou que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, encomendado por Lula ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia em 2024, foi apresentado na Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e está em execução. Mais de 64% do programa foi realizado; o plano prevê R$ 25 bilhões em investimentos ao longo de 5 anos. Luciana também afirmou que o Brasil conhece menos de 30% de seu subsolo e já possui a 2ª maior reserva mundial de terras raras.
Luciana disse trabalhar na criação de um plano de metas para 5 anos, com orçamento e objetivos de execução para a Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia. O ministério também atua no desenvolvimento de um submarino de propulsão nuclear para proteger a costa brasileira e no projeto Sirius, um acelerador de partículas. Segundo a ministra, essas iniciativas permitirão ao país manipular patógenos, vírus e fungos e se preparar para pandemias. Ela afirmou que o Brasil ainda não pode manipular o ebola e que isso deverá mudar. Também declarou que o país depende em mais de 80% de radioisótopos, usados em medicamentos contra o câncer, mas deverá alcançar autonomia em 7 anos e passar a exportar.
A presidente licenciada do PC do B afirmou que ainda não conversou com Lula sobre sua permanência no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Para Luciana, o presidente tratará do assunto no momento adequado e poderá estar concentrado, por ora, em questões mais urgentes relacionadas à Fazenda e às oscilações da Bolsa.








