
Insatisfação com deportações e inflação pode enfraquecer apoio hispânico a Trump no Texas antes das eleições de meio de mandato. (Foto: Instagram)
Pesquisas recentes indicam que Donald Trump enfrenta dificuldades no Texas às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. A insatisfação com as deportações conduzidas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e com a inflação parece enfraquecer o apoio hispânico que ajudou o presidente em 2024, enquanto os democratas avançam em distritos antes considerados competitivos.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Na Capela Católica de La Lomita, no Vale do Rio Grande, o padre Roy Snipes falou a cerca de 30 fiéis, em sua maioria hispânicos, sobre as ações do ICE. Conhecido como Padre Cowboy, ele é sacerdote local há quase meio século e, durante o primeiro governo Trump, resistiu aos planos de desapropriar o terreno da capela para construir o muro de fronteira. “Não há justificativa para deter, encarcerar e deportar pessoas pobres e boas que são nossos vizinhos”, afirmou.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Segundo dados obtidos pelo Deportation Data Project, o Texas concentrou cerca de um terço das prisões feitas pelo ICE em todo o país em julho de 2026, a maior proporção entre os Estados. Snipes disse que moradores esperavam que a política migratória atingisse os “piores dos piores”, mas relatou casos de trabalhadores detidos a caminho do emprego. Educadores da congregação contaram que alunos poderiam ficar sem os pais deportados. Para eles, a crueldade das ações pode alterar o cenário político.
O prefeito republicano de McAllen, Javier Villalobos, reconheceu que a contenção das travessias na fronteira foi bem recebida, mas disse que deportar pessoas produtivas e respeitadoras da lei é problemático. As travessias estão no menor nível em décadas. A promessa de Trump de impedir a imigração ilegal contribuiu para que ele obtivesse cerca de 55% dos votos hispânicos no Texas em 2024, um recorde para um candidato presidencial republicano.
Levantamentos feitos desde o fim do verão apontam que a maioria dos eleitores hispânicos texanos desaprova Trump e prefere os democratas aos republicanos por uma margem significativa. Mario Guerrero, empresário mexicano-americano e líder da Associação de Construtores do Sul do Texas, votou em Trump três vezes, mas pretende apoiar democratas em novembro. Ele disse que acreditava que o presidente resolveria a crise fronteiriça, mas não esperava medidas tão extremas. Guerrero também relatou que um conhecido, antes com 35 funcionários por dia, agora tem sorte quando quatro ou seis aparecem para trabalhar.
O consultor republicano Mike Madrid afirma que latinos se identificam mais como independentes do que como republicanos ou democratas. Ainda assim, a percepção de que esse eleitorado se inclinava permanentemente aos republicanos influenciou a pressão por mudanças nos distritos congressionais do Texas. O 15º distrito, redesenhado após o censo de 2020 e novamente em 2025, teria uma vantagem republicana teórica de 18 pontos; pesquisas recentes, porém, mostram os democratas cinco ou seis pontos à frente.
O democrata Bobby Pulido, cantor de música tejana e vencedor de dois Grammy Latinos, disputa o distrito. Ele reconhece a desilusão com os dois partidos e tem concentrado sua campanha na economia. Segundo Pulido, questões econômicas devem vir antes de temas como justiça social e mudanças climáticas. Essa prioridade também aparece nas pesquisas, que colocam a economia e o custo de vida entre as principais preocupações dos eleitores.
