
Protestos na França reuniram centenas de milhares de pessoas neste sábado (31), em meio a críticas ao custo de vida e aos serviços públicos. (Foto: Instagram)
A França teve novos protestos neste sábado (31), que reuniram 320 mil pessoas em todo o país, segundo o Ministério do Interior e a polícia local. Em Paris, as autoridades estimaram 70 mil participantes. O governo afirmou que o público foi menor do que nos dois fins de semana anteriores de mobilização.
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A coalizão de sindicatos e grupos estudantis apresentou uma estimativa mais alta: cerca de 500 mil manifestantes no país, incluindo 200 mil na capital. Os atos reuniram estudantes, centrais sindicais e integrantes dos “coletes amarelos”, movimento que também se opôs à agenda do presidente Emmanuel Macron entre 2018 e 2019.
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Os manifestantes foram às ruas contra o alto custo de vida e a precariedade dos serviços públicos. A mobilização ocorre em meio ao crescimento de protestos semelhantes entre jovens de diferentes países europeus nas últimas semanas. A manifestação deste sábado também ganhou destaque por acontecer seis meses antes da eleição presidencial e em um período de aumento de apelos à “revolução” e à “insurreição” nas redes sociais.
Para prevenir distúrbios, as autoridades francesas mobilizaram 70 mil agentes de segurança. Apesar de a maioria dos atos ter ocorrido pacificamente, houve momentos de tensão em Paris, Lyon e Toulouse. Segundo a prefeitura da capital, agentes de segurança foram atingidos por objetos, incluindo um coquetel molotov. Em Lyon, a terceira maior cidade francesa, e em Toulouse, no sudoeste do país, foi usado gás lacrimogêneo.
O esquema de segurança foi semelhante ao adotado no fim de semana anterior e buscou evitar a repetição dos episódios de 17 de outubro, quando estimativas apontaram entre 550 mil e 800 mil pessoas nas ruas. Naquela ocasião, ocorreram saques, incêndios em prédios públicos e confrontos com a polícia em várias cidades. Os protestos atuais começaram a ganhar força no fim de setembro, durante as negociações do orçamento de 2027 do governo minoritário de Macron. Estudantes iniciaram a mobilização, criticando a piora das condições nas escolas, a superlotação das salas e o sistema de admissão universitária, considerado injusto por parte dos jovens.
Com o avanço dos atos, as reivindicações passaram a enfatizar o custo de vida, principalmente o preço dos combustíveis. A pressão ocorre em um momento delicado para o governo francês: na sexta-feira (30), a Fitch mudou de estável para negativa a perspectiva da nota de crédito do país. Também neste sábado, houve passeatas na Alemanha. A polícia usou canhões de água para dispersar manifestantes contrários ao serviço militar obrigatório e favoráveis a mais investimentos em educação. As dificuldades causadas pelo aumento do custo de vida também estavam entre os temas. As polícias de Frankfurt, Munique e Berlim estimaram cerca de 18 mil participantes, abaixo do esperado.
