
Estudos preliminares indicam que a melatonina pode aumentar a sensibilidade de células de glioblastoma à quimioterapia, mas ainda não há comprovação de eficácia em pacientes. (Foto: Instagram)
A melatonina, hormônio produzido naturalmente pelo corpo para regular o sono, pode ter potencial no tratamento do glioblastoma, um dos cânceres cerebrais mais agressivos. Estudos sugerem que ela pode tornar células tumorais mais sensíveis à quimioterapia, mas ainda não há comprovação de eficácia em pacientes.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Uma análise publicada no portal científico The Conversation em 16 de outubro de 2026 aponta que experimentos de laboratório encontraram resultados promissores ao combinar melatonina com temozolomida, medicamento usado contra o glioblastoma. A associação pode dificultar a sobrevivência e a multiplicação das células cancerígenas. O glioblastoma é o tumor cerebral maligno primário mais comum em adultos, e o tratamento geralmente inclui cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Mesmo após a remoção cirúrgica, células tumorais podem permanecer no tecido cerebral e fazer a doença voltar. Um dos desafios do tratamento é que algumas delas conseguem reparar os danos causados pela quimioterapia. A proteína MGMT, por exemplo, pode diminuir a ação da temozolomida ao corrigir alterações no DNA das células do tumor.
Um estudo publicado em 2025 observou que, em culturas de células de glioblastoma, a combinação de melatonina e temozolomida teve efeito maior do que o uso de cada substância isoladamente. Os pesquisadores identificaram redução de mecanismos ligados à sobrevivência e à inflamação das células tumorais, além da ativação de processos de morte celular. Testes em camundongos também apontaram menor crescimento do tumor, mas as células haviam sido implantadas sob a pele, e não no cérebro, o que limita a aplicação dos resultados a pacientes.
Em outro estudo, de 2018, a melatonina aumentou a sensibilidade à temozolomida de células de glioblastoma com características semelhantes às de células-tronco. Os efeitos variaram entre os modelos experimentais. Pesquisas também investigam se o hormônio pode proteger o cérebro saudável de efeitos adversos da quimioterapia: em camundongos sem tumor, foram atenuadas alterações na formação de novos neurônios e evitados comportamentos semelhantes aos depressivos associados ao tratamento. Isso não demonstra que os mesmos benefícios ocorram em pessoas.
Até o momento, não há evidências clínicas suficientes para recomendar melatonina como complemento no tratamento do glioblastoma. Uma limitação é que alguns experimentos usaram concentrações centenas de milhares de vezes maiores do que as produzidas naturalmente durante a noite. Ainda não se sabe se níveis assim podem ser alcançados com segurança no cérebro humano.
Um pequeno estudo clínico publicado em 1996 acompanhou 30 pacientes e encontrou maior sobrevida após um ano entre aqueles que receberam melatonina junto com radioterapia. Como a pesquisa ocorreu antes de a temozolomida fazer parte do tratamento padrão, ela não confirma a eficácia da combinação investigada atualmente. Novos ensaios clínicos são necessários para definir doses seguras, verificar se a substância alcança o tumor e avaliar possíveis efeitos sobre a sobrevida e a qualidade de vida. A melatonina não deve ser usada por conta própria contra o câncer nem substituir os tratamentos recomendados; seu uso durante a quimioterapia precisa ser discutido com a equipe médica.








