
Truta-arco-íris amarela pode atingir 300 gramas e superar linhagens comum e albina, aponta estudo do Instituto de Pesca. (Foto: Instagram)
Em um experimento com trutas-arco-íris (Oncorhynchus mykiss), pesquisadores do Instituto de Pesca observaram que a variedade amarela, resultado do cruzamento com uma linhagem albina, pode superar em peso a linhagem selvagem. Embora cresça mais devagar no início, ela chega a cerca de 300 gramas no ponto de abate comercial, diante de 237 gramas da truta comum e 145 gramas da variante albina, totalmente branca.
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A descoberta, que pode abrir oportunidades comerciais para a criação da espécie, foi publicada na revista Aquaculture Reports e integra estudo apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). “O desempenho do fenótipo amarelo foi uma surpresa, porque o selvagem é normalmente o que cresce mais”, disse Vinicius Vasconcelos Silva, primeiro autor da pesquisa, realizada durante seu doutorado no Instituto de Pesca e na Fzea-USPP (Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo).
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O trabalho faz parte do projeto “Avaliação do crescimento muscular de linhagens de trutas-arco-íris”, coordenado por Vander Bruno dos Santos, pesquisador do Instituto de Pesca. Segundo ele, a diversidade de cores pode gerar produtos diferentes e tem potencial especialmente para a pesca esportiva, onde há procura por peixes distintos em estabelecimentos de pesque e pague.
Os experimentos ocorreram no Núcleo Regional de Pesquisa em Salmonicultura Dr. Ascânio de Faria, unidade do Instituto de Pesca apropriada para espécies de clima temperado. Os animais receberam a mesma alimentação e foram mantidos em condições iguais de temperatura e qualidade da água. O peso foi medido aos 60, 120, 180 e 270 dias; nessa última etapa, as trutas costumam atingir o tamanho de consumo no Brasil, em torno de 250 gramas, suficiente para uma porção individual.
Os alevinos nasceram do cruzamento, feito em laboratório, de 5 machos brancos com 80 fêmeas comuns, pardas com pintas pretas. Foram cerca de 8.200 peixes, distribuídos de maneira equilibrada entre as cores branca, amarela, azul-cobalto e comum. Para as avaliações de peso, os pesquisadores selecionaram 90 animais de cada cor.
Até o quarto mês, a truta comum liderou o crescimento, com média de 54 gramas, enquanto a branca chegou a 33 gramas e teve o pior desempenho em todas as fases. Aos seis meses, porém, a amarela assumiu a dianteira, com 123 gramas, contra 119 gramas da comum. A diferença aumentou até o fim do estudo. A variedade comum cresceu mais no início, mas desacelerou depois de 120 dias, afirmou Silva.
As causas do desenvolvimento reduzido das trutas brancas ainda são investigadas. Um estudo apoiado pela Fapesp e publicado em 2020 na revista PLOS One apontou que trutas azuis e brancas têm a hipófise menor, glândula que regula metabolismo e crescimento. Vander Bruno dos Santos também citou pesquisas que associam genes ligados à cor a efeitos negativos no crescimento e nas defesas do organismo. A falta de melanina pode afetar um hormônio relacionado à pigmentação, à inflamação, à fome e à energia, com consequências para apetite, estresse e imunidade.
A produção brasileira de trutas é de cerca de 1,6 mil toneladas anuais e atende a um público fiel. Para ampliar o mercado, os pesquisadores também estudam a “truta salmonada”, que recebe cor e propriedades nutricionais semelhantes às do salmão por meio de uma ração especial. O grupo do Instituto de Pesca trabalha para elevar o valor nutricional da espécie.
