
Debate sobre ICMS dos combustíveis reacende disputa política entre PT e Tarcísio de Freitas. (Foto: Instagram)
A eleição presidencial acabou, mas a próxima disputa política já está em curso. O PT parece ter definido um de seus principais alvos: Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e uma das principais lideranças da oposição.
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Criticar o governador faz parte da democracia. O problema surge quando os fatos são apresentados parcialmente para sustentar uma narrativa conveniente. Um exemplo é o aumento do ICMS sobre os combustíveis, que tem sido associado exclusivamente a Tarcísio.
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Em outubro, o Confaz aprovou os Convênios ICMS 127 e 128/2026, que modificaram os valores do imposto sobre combustíveis. Para a gasolina e o etanol anidro, o ICMS passará de R$ 1,45 para R$ 1,64 por litro, a partir de fevereiro de 2027. Dizer apenas que Tarcísio aumentou o imposto da gasolina, porém, deixa de fora um dado relevante.
A ratificação antecipada dos convênios recebeu aprovação unânime das unidades da Federação. São Paulo participou da decisão, e Tarcísio pode ser cobrado por isso. Mas Estados governados pelo próprio PT também participaram. Atribuir a medida somente ao governador paulista transforma uma decisão coletiva em responsabilidade exclusiva de um dos envolvidos.
A comparação das alíquotas estaduais também faz parte da discussão. São Paulo mantém em 18% sua alíquota geral de ICMS. Na Bahia, ela é de 20,5%; no Ceará, de 20%; e no Piauí, de 22,5%. Os três Estados são governados pelo PT. Diante desses números, cabe perguntar quem efetivamente elevou o imposto e considerar as políticas tributárias de cada governo.
Há também uma medida adotada em São Paulo que entra nessa avaliação: Tarcísio sancionou a isenção de IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas, desde que atendidos os requisitos legais. A iniciativa pode beneficiar cerca de 4,3 milhões de motos.
Isso não significa que o governador esteja imune a críticas. Se aumentar impostos, deve explicar a decisão; se errar ou administrar mal, precisa responder. Mas o mesmo critério deve valer para todos. Uma discussão sobre tributos pode comparar São Paulo com Bahia, Ceará e Piauí, incluindo alíquotas, aumentos e reduções. O que não cabe é escolher apenas os dados convenientes à disputa política. Tarcísio tende a ser mais atacado por sua projeção nacional na oposição; isso faz parte do jogo. Distorcer os fatos, não. O peso dos impostos já afeta o bolso dos brasileiros, sem que se acrescente a ele o custo da desinformação política.








