
Apoiadores de Flávio Bolsonaro recorreram às redes de Donald Trump após a vitória de Lula. (Foto: Instagram)
Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a usar as redes sociais de Donald Trump para pedir que os Estados Unidos interfiram no Brasil. As mensagens incluem pedidos de ajuda, acusações de fraude e tentativas de ampliar a repercussão da derrota do candidato bolsonarista.
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Um levantamento da Ativaweb DataLab, especializada em inteligência digital e análise estratégica, identificou uma mudança na atuação de parte da militância em relação ao período posterior à derrota de Jair Bolsonaro, em 2022. Em vez de concentrar protestos em quartéis militares, apoiadores direcionaram as manifestações aos perfis de Trump no Instagram e no Facebook.
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O estudo contabilizou 1.234.989 interações, entre comentários e curtidas, e analisou qualitativamente sete publicações feitas pelo presidente estadunidense em 29 de outubro. Segundo os pesquisadores, a maioria das mensagens buscava apoio externo e questionava a legitimidade do resultado que confirmou a vitória de Lula. Pedidos de socorro representaram 34,1% das interações e concentraram 33,4% das curtidas.
As mensagens com acusações de fraude eleitoral e a alegação de que o Brasil estaria sob uma ditadura corresponderam a quase 8% dos comentários e a 9,2% das curtidas. O levantamento também identificou publicações que incentivavam a participação dos usuários por meio de enquetes informais e convocações para clicar ou reagir. Esse conteúdo somou 7,4% dos comentários e 40% das curtidas, indicando grande capacidade de mobilização.
Para o cientista de dados Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab, a estratégia não representa uma tentativa de conversar com Trump. Na avaliação dele, os usuários buscam demonstrar apoio político e contestar o resultado das urnas no Brasil. Maracajá afirmou que as curtidas funcionam como uma contagem pública de apoiadores e como uma espécie de voto que, na percepção deles, teria sido perdido na eleição.
O pesquisador também avaliou que os comentários se tornaram instrumentos de pressão política, convertendo o volume de interações em uma demonstração simbólica de força. A análise encontrou sinais de comportamento digital inautêntico, incluindo contas apontadas como ligadas à inteligência artificial e variações bruscas na quantidade de curtidas. Esses indícios apareceram durante a mobilização para questionar a vitória petista e pedir uma reação internacional. Maracajá acrescentou que o uso recorrente de expressões como “SOS” e “Help” indica um pedido de socorro dirigido a alguém sem jurisdição sobre as urnas brasileiras, e não um debate.
