
Ativistas de esquerda distribuem nos Estados Unidos cartazes informais de “procurado” com a imagem do senador Flávio Bolsonaro. (Foto: Instagram)
Ativistas de esquerda estão distribuindo nos Estados Unidos cartazes informais de “procurado” com a imagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e candidato derrotado à Presidência. Ele deixou o Brasil dois dias depois de perder a eleição para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente.
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A saída do país ocorreu após a Polícia Federal pedir a apreensão do passaporte do senador. Apesar da iniciativa, Flávio não é considerado procurado nem foragido. Nos cartazes, os ativistas dizem que ele é acusado de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, desvio de verbas públicas e crimes contra o Estado Democrático de Direito.
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Flávio é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Um deles, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, apura possível lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O outro investiga o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os ativistas também afirmam que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e integrante do Partido Republicano, tentou interferir na eleição brasileira e ajudou Flávio a deixar o país. Antes do segundo turno, o governo brasileiro havia manifestado preocupação com possível interferência estrangeira. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que representantes do governo Trump “tomaram parte” na eleição. Em entrevista ao Estadão, afirmou que cabe aos brasileiros decidir nas urnas e avaliar o que configura interferência ou intromissão.
No sábado (31.out.2026), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que o governo norte-americano não participou diretamente da saída de Flávio do Brasil, embora Trump tenha autorizado a entrada do senador no país. Trump afirmou, sem apresentar provas, haver sinais de que a eleição foi “fraudada” e disse que Flávio poderia permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que quisesse.
Em carta divulgada na quarta-feira (28.out), Flávio se declarou “líder do Brasil”. Uma versão anterior o chamava de “verdadeiro presidente eleito”, mas o texto foi alterado uma hora depois. No domingo (1º.nov), ele foi a um culto evangélico na igreja Celeiro, em Fort Lauderdale, na Flórida. Estava acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, do irmão e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e da cunhada, Heloísa Bolsonaro.
Flávio deixou o Brasil com a mulher e as duas filhas adolescentes do casal por dizer que se sentia ameaçado por possíveis decisões de Alexandre de Moraes. A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte apenas sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral anunciar o resultado da eleição, às 21h09 de 25 de outubro de 2026. Lula venceu com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. Moraes autorizou a apreensão dos documentos e a proibição de que o senador deixasse o país.
