
Lideranças do Centrão articulam votação de reforma eleitoral que prevê a adoção do voto distrital misto. (Foto: Instagram)
Lideranças do Centrão articulam no Congresso a aprovação, ainda em novembro, de uma reforma eleitoral que substituiria o sistema proporcional pelo voto distrital misto. A proposta conta com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), mas encontra resistência de deputados do PT e do PL. Os articuladores querem concluir a votação antes da próxima legislatura.
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A intenção é aprovar a mudança antes da posse dos parlamentares eleitos em outubro, prevista para fevereiro de 2027. Segundo a avaliação dos defensores da proposta, a nova composição da Câmara poderá criar mais obstáculos à reforma. Entre os possíveis focos de resistência estariam deputados eleitos pelo sistema atual, incluindo os chamados puxadores de votos.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também estaria ajudando a impulsionar as conversas e a avançar com a proposta no Congresso Nacional. Dirigentes de diferentes partidos participam das tratativas, que buscam acelerar a tramitação antes que a renovação da Câmara torne mais difícil reunir apoio para a votação.
No modelo defendido pelos apoiadores, cada eleitor teria dois votos para deputado: um destinado à disputa em seu distrito eleitoral e outro dirigido a uma lista partidária. Na hipótese de adoção de lista fechada, os partidos definiriam previamente a ordem dos candidatos. A posição de cada nome nessa lista teria influência direta nas possibilidades de conquistar uma cadeira.
A mudança alteraria a lógica do sistema proporcional usado atualmente no Brasil. Hoje, os votos recebidos por um candidato também contribuem para o desempenho de seu partido ou federação. Assim, candidatos com votação expressiva podem ajudar a eleger outros integrantes da mesma legenda ou federação para a Câmara. Esse mecanismo beneficia os puxadores de votos, que, segundo as negociações, podem perder espaço com a mudança.
Para os defensores da reforma, o distrital misto reuniria a escolha de representantes por território e o peso das listas partidárias. O plano apoiado por Hugo Motta prevê uma transição gradual: a aplicação começaria em 2030, e a adoção integral do novo sistema ocorreria apenas nas eleições de 2034.
As regras para essa transição ainda estão em discussão, assim como o formato definitivo da proposta. Entre os pontos pendentes estão os mecanismos que substituirão o modelo proporcional e os detalhes da implementação. Parlamentares contrários avaliam que a mudança pode alterar o equilíbrio interno dos partidos e reduzir as chances de quem depende sobretudo da votação individual. No Centrão, a pressa é associada à preocupação de que novos deputados eleitos pelas regras atuais dificultem a formação de maioria.
