
Durigan afirma que tabelamento de juros não está na agenda de Lula (Foto: Instagram)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou neste domingo (1º) que a proposta de tabelamento de juros não faz parte da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi dada após notícias sobre a possibilidade de Lula conversar com economistas a respeito de alternativas diante da crise fiscal.
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Durigan negou que haja reunião marcada entre Lula e o economista André Lara Resende, citado entre os nomes que poderiam apresentar ideias ao governo. Segundo o ministro, economistas se colocaram à disposição para colaborar e mantêm contato com Aloízio Mercadante, presidente do BNDES, mas não há encontro previsto. “Nenhuma dessas ideias como tabelamento de juros está na mesa do presidente”, declarou.
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A proposta defendida por Lara Resende sugere uma nova articulação entre as políticas fiscal e monetária. O modelo prevê criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e estabelecer metas conjuntas para um período de quatro a cinco anos. Nele, o Banco Central manteria a Selic entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial do PIB, estimado em cerca de 5,5%. A taxa começaria a cair gradualmente ao longo de 12 meses, até chegar a 7,5%, com margem de segurança de 2 pontos em relação ao PIB potencial.
Edinho Silva, presidente do PT, criticou as especulações sobre a área econômica e afirmou que cabe a Durigan falar oficialmente pelo governo sobre o tema. Segundo ele, esse tipo de especulação não ajuda o país e favorece especuladores e agentes que apostam contra o governo Lula e o futuro nacional. O presidente já criticou a autonomia do Banco Central e os juros, além de cobrar de Gabriel Galípolo, presidente da autoridade monetária, uma redução da Selic.
A discussão sobre os rumos econômicos ganhou força enquanto o governo busca uma agenda fiscal considerada crível para o próximo mandato. Aliados também começaram a discutir mais cedo a composição da equipe econômica do quarto mandato de Lula. Entre os nomes mais mencionados está o matemático Rafael Fonteles, governador do Piauí.
Lara Resende defende há anos que o problema fiscal brasileiro está nos juros, não no gasto primário. Em artigo publicado no fim de setembro, voltou a argumentar que a Selic elevada faz os encargos da dívida crescerem mais rapidamente do que a produção de riqueza do país. A dívida bruta está em 82,9% do PIB, o nível mais alto desde 2021; para equilibrar as contas, seria necessário um ajuste de pelo menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos.
O economista propõe limitar a Selic, hoje em 13,75% ao ano e acima de dois dígitos desde 2022. Gleisi Hoffmann, ex-ministra, compartilhou o artigo nas redes sociais e escreveu no X que o texto é fundamental para enfrentar uma “ofensiva terrorista” sobre a política fiscal. A avaliação da proposta, porém, já provocou apreensão no mercado financeiro. Economistas alinhados ao PT também se opõem à ideia e consideram que a simples possibilidade de análise gera ruído desnecessário.
Neste domingo, integrantes da equipe econômica conversaram com Lula após a reação negativa de agentes do mercado a notícias sobre um possível encontro com Lara Resende. Aliados do presidente passaram a defender que a escolha da equipe econômica do próximo mandato seja anunciada mais cedo, para dar sinais mais claros ao mercado e conter a alta do dólar observada nesta semana, após o resultado do segundo turno.
