
PUC-Rio abriu investigação interna após denúncia de ofensas racistas contra Marielle Franco em um grupo estudantil. A filha da ex-vereadora condenou os ataques. (Foto: Instagram)
A PUC-Rio abriu uma investigação interna para apurar ofensas racistas que teriam sido feitas por um aluno contra Marielle Franco, ex-vereadora do Rio de Janeiro assassinada em 2018. Em nota publicada na sexta-feira, 30, a universidade afirmou que está tomando “todas as medidas administrativas e legais cabíveis”.
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Segundo relatos, em um grupo estudantil de WhatsApp, um aluno teria chamado Marielle de “macaca” e questionado como ela teria pagado a faculdade enquanto estudava na PUC-Rio.
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Luyara Franco, filha de Marielle, condenou o ataque em um vídeo publicado nas redes sociais. “Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar”, declarou.
A universidade informou que recebeu denúncias pela Ouvidoria e pelo Canal Externo de Denúncias e instaurou uma apuração no âmbito do Programa de Integridade. A instituição repudiou atos discriminatórios e afirmou que racismo e injúria racial são crimes graves, que devem ser investigados pelas autoridades competentes, conforme a lei.
Na nota, a PUC-Rio também lembrou que Marielle se formou em Ciências Sociais na instituição e destacou sua contribuição para as discussões sobre raça e gênero. O texto citou ainda a professora Lélia Gonzalez entre as referências que passaram pela universidade e fortaleceram essas lutas.
Marielle foi morta a tiros em 2018. Os executores, o ex-policial militar Ronnie Lessa e o ex-sargento Élcio Vieira de Queiroz, foram condenados em 2024. Neste ano, também foram condenados os apontados como mandantes: Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ; João Francisco Inácio Brazão, deputado federal cassado; Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ; Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM; e Robson Calixto Fonseca, policial militar.
A universidade declarou que, como instituição confessional e comunitária, tem compromisso com a justiça e a dignidade das pessoas. Acrescentou que o racismo fere toda a comunidade e que sua atuação não se limita à investigação e às medidas cabíveis: inclui também promover uma educação antirracista e preservar a memória de mulheres como Marielle, cuja história faz parte da trajetória da PUC-Rio.
