
Na Alemanha, quase 60% dos prefeitos conciliam a gestão municipal com outra profissão. Susanne Lux dedica de 20 a 30 horas semanais à comunidade de Kasbach-Ohlemberg, que tem 1.450 habitantes. (Foto: Instagram)
Em milhares de municípios alemães, moradores assumem a prefeitura sem dedicação exclusiva. Susanne Lux, engenheira agrônoma e empresária, administra uma companhia de marketing internacional e ainda reserva de 20 a 30 horas por semana à comunidade de Kasbach-Ohlemberg, que tem 1.450 habitantes e fica na Renânia-Palatinado. Eleita prefeita voluntária em 2024, ela concilia o cargo com o trabalho e a vida pessoal.
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Quase 60% dos prefeitos da Alemanha trabalham voluntariamente, conciliando a função pública com a profissão, a família e outras atividades. Em média, dedicam 25 horas semanais à gestão, segundo estudo publicado pela editora Springer Nature. Na Renânia-Palatinado, estado com cerca de 4 milhões de habitantes, em sua maioria residentes em áreas rurais, mais de 2 mil municípios têm prefeitos voluntários.
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O diretor da Associação de Municípios e Cidades da Renânia-Palatinado, Moritz Petry, considera esses gestores essenciais à democracia local. Segundo ele, o envolvimento de moradores com a comunidade e com os processos democráticos favorece a aceitação das decisões, já que nada é anônimo. Os prefeitos não recebem salário, mas têm direito a honorários para compensar o tempo dedicado e os custos do cargo. Na Renânia-Palatinado, os valores vão de 350 a 2.937 euros, enquanto o salário-mínimo alemão fica em torno de 2.400 euros mensais para uma jornada de 40 horas semanais.
Lux afirma que perde dinheiro ao ocupar a prefeitura, pois as 20 ou 30 horas dedicadas à função deixam menos tempo para a empresa. Alguns prefeitos que conhece são aposentados e, por isso, conseguem reservar mais tempo ao trabalho municipal. A entrada dela na política também veio antes do planejado: imaginava se envolver quando se aposentasse, mas aceitou o convite do diretório local da União Democrata Cristã (CDU), que estava sem liderança, e decidiu concorrer.
A campanha foi feita de porta em porta. Como não nasceu em Kasbach-Ohlemberg, Lux precisou se apresentar aos moradores; vive no município há 27 anos. Ela bancou as despesas, que incluíram a criação de um site e a impressão de folhetos. No exercício da função, conta com integrantes do conselho municipal e com o marido, que visita idosos em seus aniversários e bodas. “Tenho muita sorte por ele me apoiar”, diz.
Na Renânia-Palatinado, o mandato dos prefeitos voluntários dura 5 anos e não há limite para reeleições. Em Windhagen, município de 4.200 habitantes, Josef Rüddel permaneceu no cargo por 56 anos, até se aposentar da política em 2019, aos 94 anos. Petry afirma que muitos candidatos querem transformar a comunidade onde nasceram, motivação que considera central para assumir a função.
Burocracia, dificuldade de conciliar o cargo com outra profissão e ameaças, intimidações e episódios de violência têm aumentado a pressão sobre esses gestores. Lux aponta a burocracia como seu principal obstáculo e defende a otimização e a digitalização dos processos. Nas eleições locais de 2024, mais de 500 municípios da Renânia-Palatinado não tiveram nenhum candidato à prefeitura. Ela explica que segue no cargo por acreditar na responsabilidade cristã de ajudar outras pessoas e retribuir à comunidade.








