
Lula vence Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026, apesar de ter ficado atrás no primeiro. (Foto: Instagram)
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026 foi reconhecida pelo Partido Liberal (PL), mas ainda circulam nas redes sociais alegações sem provas de que o resultado seria “matematicamente impossível” ou teria sido fraudado. A disputa também marcou a primeira vez desde a redemocratização que um candidato derrotado no primeiro turno venceu a etapa final da eleição presidencial.
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Especialistas contestaram a suspeita de que a votação até as 19h teria favorecido Lula. O encerramento estava previsto para as 17h, mas foi prorrogado por decisão do ministro do STF Cristiano Zanin, após pedidos das campanhas dos dois candidatos. A medida considerou dificuldades de acesso a locais de votação, relacionadas à falta de transporte público em algumas cidades e a questões climáticas.
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Registros das urnas eletrônicas indicam que 34.393 votos foram computados depois das 17h, número bem inferior à diferença de 4,4 milhões de votos que garantiu a vitória de Lula. O presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, afirmou que as eleições de 25 de outubro foram as mais inclusivas da história republicana e que as medidas adotadas permitiram concluir a apuração com segurança, apesar da instabilidade no fim da votação.
Flávio Bolsonaro chegou a se declarar o “verdadeiro presidente eleito” e, depois, divulgou outra manifestação em que se apresentou como “líder do Brasil”. Nunes Marques disse que questionamentos apresentados pelos canais legais seriam examinados. A declaração se referia a denúncias das campanhas contra os adversários, não a contestações do resultado. Flávio acusou Lula de usar a máquina pública para fins eleitorais; o petista afirmou que o senador foi favorecido pela Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. As denúncias ainda seriam avaliadas pelo TSE, e irregularidades graves capazes de comprometer a eleição poderiam levar à anulação do pleito.
No primeiro turno, em 4 de outubro, cerca de 125,2 milhões de pessoas votaram e 33,5 milhões se abstiveram. Flávio recebeu 56,104 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, enquanto Lula teve 53,879 milhões, equivalentes a 45,16%. Os demais candidatos somaram 9,316 milhões; brancos e nulos chegaram a quase 6 milhões. Assim, Flávio terminou a primeira etapa com vantagem de aproximadamente 2,2 milhões.
Em 25 de outubro, cerca de 128,2 milhões compareceram às urnas, quase 3 milhões a mais. A abstenção caiu para 30,5 milhões e os votos brancos e nulos diminuíram cerca de 1,8 milhão, para 4,1 milhões. A queda nesses grupos acrescentou 4,78 milhões de votos válidos à disputa. Somados aos 9,316 milhões destinados a candidatos da terceira via no primeiro turno, havia 14,09 milhões de votos que poderiam migrar para os finalistas. Lula conquistou saldo de 10,376 milhões de eleitores e terminou com 64,256 milhões de votos (51,79%); Flávio ganhou 3,7 milhões e alcançou 59,8 milhões (48,21%).
O cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getúlio Vargas, ressalvou que os totais não revelam o percurso individual dos eleitores, protegido pelo sigilo do voto. Parte dos eleitores da terceira via pode ter optado por votos brancos ou nulos, enquanto pessoas que anularam no primeiro turno podem ter escolhido um dos candidatos no segundo. Para Nicolau, eleitores que transitam entre direita e esquerda ajudaram a explicar a migração. Lula obteve 51,79% em 2026, pouco acima dos 50,9% registrados em 2022.








