
Candidatos de origem brasileira disputam vagas em legislativos estaduais dos Estados Unidos. (Foto: Instagram)
Pelo menos sete candidatos de origem brasileira concorrem a vagas em legislativos estaduais dos Estados Unidos nesta terça-feira (3). Filiados ao Partido Democrata, disputam eleições em Massachusetts, Flórida, Connecticut e Nevada. Cinco já ocupam cargos e tentam a reeleição; Felipe Sousa-Lazaballet e Lorena Betts buscam uma cadeira pela primeira vez.
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As histórias de Felipe e Lorena mostram caminhos diferentes até a política americana. Ele chegou aos EUA aos 14 anos e viveu 15 anos sem documentos antes de se tornar ativista pelos direitos dos imigrantes. Ela deixou o Brasil para trabalhar como au pair, teve de reconstruir a carreira e se aproximou da política por meio da mobilização comunitária.
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Nascido no Rio de Janeiro e criado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Felipe cresceu em uma família de poucos recursos. Sua mãe, empregada doméstica, criava os filhos sozinha e chegou a ter três empregos. A irmã mais velha emigrou para os Estados Unidos e, anos depois, levou Felipe para morar com ela. A mãe não conseguiu visto para acompanhá-los. Hoje com 40 anos e naturalizado americano desde 2021, ele concorre à Câmara dos Representantes da Flórida pelo Distrito 42, na região de Orlando.
Durante os estudos no Miami Dade College, Felipe se envolveu com movimentos de defesa dos dreamers. Em 2010, participou da Trail of Dreams, marcha de Miami a Washington que reivindicava a regularização de jovens imigrantes. A mobilização ajudou a pressionar por medidas como o DACA, criado em 2012, durante a presidência de Barack Obama. Mais tarde, trabalhou com famílias das 49 vítimas do massacre na boate gay Pulse, em Orlando, em 2016, e com sobreviventes. Também dirigiu o Hope CommUnity Center, que, segundo ele, atende cerca de 35 mil imigrantes na região central da Flórida. Decidiu concorrer após a reeleição de Donald Trump, em 2024, a convite da deputada estadual democrata Anna Eskamani. Se eleito, poderá ser o primeiro brasileiro na Câmara Estadual da Flórida.
Natural de Mato Grosso, Lorena trabalhava como enfermeira em Holambra, no interior de São Paulo, quando foi aos EUA em 2011 por um programa de au pair. Depois de se casar e permanecer no país, descobriu que precisaria revalidar a formação para exercer a profissão. Fez cursos de interpretação e tradução com foco jurídico e passou a trabalhar no Tribunal de Imigração de Boston, além de prestar assistência linguística em escolas e entrevistas relacionadas ao green card.
A experiência a aproximou das dificuldades de famílias imigrantes e da participação cívica. Voluntária, Lorena conheceu o senador estadual Jamie Eldridge, seu mentor político, e trabalhou como assessora legislativa de Danillo Sena, brasileiro eleito deputado estadual em Massachusetts. Também fundou uma ONG de educação cívica. Durante o segundo mandato de Donald Trump, organizou manifestações do movimento No Kings. Incentivada pela comunidade, concorre pelo 16º Distrito de Middlesex, que inclui partes de Lowell e Chelmsford. Em setembro, venceu a primária democrata com pouco mais de 70% dos votos, superando Corey Robinson, vereador de Lowell. Na eleição geral, enfrenta a republicana Karla Miller.
Moradia, educação e saúde estão entre as prioridades dos dois candidatos. Felipe afirma que sua equipe bateu a aproximadamente 40 mil portas e ouviu preocupações sobre educação, custo de vida e imigração. Ele defende investimentos nas escolas públicas, melhores salários para professores e ampliação do Medicaid. Também critica o aumento dos aluguéis e dos seguros residenciais, cujo custo, segundo ele, subiu 40% desde 2022.
Em Massachusetts, Lorena aponta dificuldades de famílias jovens para comprar ou alugar imóveis e de idosos para manter suas casas diante dos custos de financiamentos e impostos. Ela defende ampliar o acesso à saúde, investir em energia sustentável e destinar mais recursos à educação pública. As duas campanhas apostam no contato direto: a equipe de Lorena visitou mais de 13 mil residências, com voluntários e recursos vindos principalmente de pequenas doações e eventos comunitários. Para ela, a mobilização também levou de volta à política pessoas que haviam se afastado.
