
Pesquisadores da felicidade destacam que relações próximas, apoio mútuo e cooperação são essenciais para o bem-estar. (Foto: Instagram)
No início deste ano, reunimos algumas das figuras mais influentes da pesquisa moderna sobre felicidade para conversar sobre o que aprenderam em um total combinado de 600 anos de pesquisa e experiência profissional. Entre os participantes estavam estudiosos que ajudaram a transformar a felicidade em objeto de investigação científica.
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O trabalho desses pesquisadores contribuiu para que 90% dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passassem a medir a satisfação com a vida. Os resultados da discussão foram publicados no Journal of Happiness Studies. O grupo citou necessidades básicas atendidas, relações, trabalho significativo e alinhamento com valores e circunstâncias como elementos importantes para uma vida boa.
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O tema mais repetido, porém, foi a importância dos relacionamentos sociais e da alegria que eles proporcionam. As conexões influenciam diferentes aspectos da vida, intensificam experiências positivas e ajudam a enfrentar as negativas. A presença de “alguém com quem contar” está associada à satisfação com a vida em diferentes partes do mundo; em geral, pessoas felizes mantêm relações fortes e satisfatórias.
Os participantes também ressaltaram que cultivar laços não é um privilégio de pessoas extrovertidas ou socialmente favorecidas. É uma habilidade que pode ser desenvolvida por qualquer um, por meio de gestos como demonstrar interesse, procurar os outros e estar presente. Alguns dos pesquisadores reservavam tempo para cônjuges, parentes, amigos e netos. Um reorganizou a agenda para priorizar amizades próximas; outro passou a enviar mais mensagens de gratidão e a trocar conversas superficiais por diálogos mais profundos.
No trabalho, muitos ajudaram a criar laboratórios, departamentos e parcerias em que estudantes e colegas se sentissem apoiados, confiantes e motivados. Eles observaram que as pessoas produziam melhor quando recebiam incentivo para se desenvolver e também ajudavam outros a crescer. O sucesso alheio, nessa perspectiva, pode se somar ao próprio, em vez de diminuí-lo. Laços próximos também são associados por pesquisas a um envelhecimento mais saudável e feliz, como indica o Estudo de Harvard sobre Desenvolvimento na Idade Adulta.
Os estudiosos não afirmaram que suas pesquisas prolongaram suas vidas, nem atribuíram sua vitalidade a uma prática específica. Ainda assim, consideraram possível que aprender sobre felicidade os tenha levado a investir em relações que os mantiveram envolvidos com a vida. Ao pensar nas sociedades, manifestaram preocupação com o bem-estar dos jovens e com culturas cada vez mais competitivas, nas quais escolas, universidades e locais de trabalho colocam pessoas em comparação ou rivalidade.
O grupo não descartou a competição, que em certas situações pode favorecer a inovação, mas questionou a ideia de que a rivalidade egoísta seja indispensável ao progresso. Cooperação, aprendizagem social e cuidado mútuo também ajudam as pessoas a prosperar. Comunidades com um senso de “nós” podem estar mais preparadas para avançar do que aquelas marcadas pela lógica de “nós contra eles”. A mensagem final é que o bem-estar de uma pessoa pode fortalecer o de outra: uma vida feliz se constrói nas relações cotidianas, no apoio mútuo e nas comunidades que formamos.
