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Estudos mostram que cérebro dos recém-nascidos é mais consciente do que se imaginava


Cérebro de recém-nascidos pode apresentar sinais precoces de consciência (Foto: Instagram)

O cérebro dos recém-nascidos pode apresentar mais sinais de consciência do que os cientistas supunham. Pesquisas de instituições como a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e o Trinity College Dublin, na Irlanda, apontam atividade relacionada à percepção do ambiente desde os primeiros dias de vida. A reportagem que reuniu os estudos, publicada no último domingo (25), também apresenta resultados ligados a Claudia Passos-Ferreira, da Universidade de Nova York, ao Developing Connectome Project, em Londres, a Lorina Naci, do Trinity College Dublin, e à Universidade Yale. Um estudo da Universidade Yale, divulgado em 13 de outubro de 2026, contou com a participação de Katarzyna Chawarska. A reportagem cita ainda a PubMed.
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Uma das pesquisas examinou se os bebês percebem alterações inesperadas em sons. Em um experimento na Alemanha, recém-nascidos ficaram em berços equipados com sensores que registravam pequenas mudanças na atividade cerebral. Os cientistas tocaram sequências de sons graves e agudos e, quando alteraram a ordem, observaram uma resposta específica no cérebro dos bebês. Reações desse tipo também são registradas em adultos conscientes diante de algo inesperado. Claudia Passos-Ferreira, da Universidade de Nova York, afirmou que o resultado indica que o cérebro dos recém-nascidos já realiza alguns processos de modo semelhante ao cérebro adulto. Isso não quer dizer que eles tenham o mesmo nível de consciência de pessoas mais velhas, mas oferece pistas sobre o desenvolvimento cerebral.

Outra linha de investigação foi conduzida pelo Developing Connectome Project, um amplo projeto científico realizado em Londres. Para examinar o cérebro de centenas de bebês, entre eles recém-nascidos, os pesquisadores adaptaram equipamentos de ressonância magnética. Durante os exames, acompanharam a atividade em diferentes regiões e observaram como essas áreas se comunicavam. A neurocientista Lorina Naci, do Trinity College Dublin, e sua equipe identificaram redes de atividade coordenada que se parecem com as encontradas em adultos acordados. Essa comunicação entre áreas cerebrais é considerada, em adultos, um possível indicador de consciência. A Universidade de Cambridge também aparece entre as instituições cujos cientistas realizaram pesquisas reunidas na reportagem. A presença dessas redes nos primeiros dias de vida sugere uma organização cerebral mais sofisticada do que se acreditava.

Um estudo da Universidade Yale, divulgado em 13 de outubro de 2026, acrescentou evidências sobre o desenvolvimento antes do nascimento. Os pesquisadores observaram que uma rede cerebral associada ao processamento de rostos e às interações sociais começa a se organizar no terceiro trimestre da gravidez. Essa capacidade ajuda os bebês a direcionar a atenção a rostos, expressões e movimentos de quem cuida deles. A professora Katarzyna Chawarska explicou que perceber sinais sociais — como sorrisos, contato visual e vocalizações — é essencial para o vínculo entre recém-nascidos e cuidadores. O achado reforça que parte da preparação cerebral para interagir com o mundo ocorre antes do nascimento.

Ainda não se sabe exatamente em que momento começa a consciência. Como recém-nascidos não conseguem falar nem explicar o que sentem, é difícil avaliar suas experiências subjetivas e a percepção do ambiente. Por isso, os pesquisadores analisam sinais como atividade cerebral, respostas a estímulos e conexões entre regiões do cérebro. Uma pesquisa publicada em 2026 com especialistas em consciência infantil apontou que 75% dos participantes consideram que recém-nascidos normalmente têm alguma forma de consciência. Os cientistas ressaltam, porém, que a consciência infantil provavelmente difere da adulta e continua a se desenvolver ao longo da infância. As descobertas divulgadas na reportagem, incluindo as reunidas pela PubMed, ajudam a compreender esse processo e indicam que o cérebro dos bebês já é ativo antes de eles aprenderem a falar ou caminhar.

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