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Matheus Farias cria equação inédita para tratamento do câncer de próstata


Cientista alagoano desenvolve modelo matemático que pode apoiar pesquisas sobre nanopartículas de ouro e câncer de próstata. (Foto: Instagram)

O cientista brasileiro Matheus dos Santos Farias, de 26 anos, desenvolveu uma equação matemática inédita que poderá contribuir para pesquisas sobre o tratamento do câncer de próstata. Em entrevista ao Só Notícia Boa, conduzida por Rinaldo de Oliveira, CEO do SNB, ele explicou como criou, sem custo, uma ferramenta computacional. Sua trajetória inclui a Universidade de São Paulo (USP), o Hospital Israelita Albert Einstein e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). A pesquisa também envolveu a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e pesquisadores da University College London (UCL), no Reino Unido. Matheus contou que, nesta terça-feira (27), conseguiu a patente da descoberta junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

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A ferramenta reproduz virtualmente parte das análises realizadas por equipamentos laboratoriais que podem custar até US$ 2 milhões. Matheus disse a Rinaldo de Oliveira, durante a live do Só Notícia Boa no Instagram, que usou código de machine learning e inteligência artificial para criar no próprio computador um sistema capaz de calcular o tamanho de partículas de ouro a serem colocadas na próstata do paciente. O desenvolvimento foi feito sem custo de equipamento, mas as simulações não substituem integralmente os aparelhos: são recursos complementares para planejar estudos e interpretar resultados.

A equação, chamada Modelo Padrão Farias (MPF), tem relação com a nanobraquiterapia, uma tecnologia experimental estudada para possíveis aplicações contra o câncer de próstata. A proposta considera nanopartículas de ouro, pequenas demais para serem vistas a olho nu, que, em uma das possibilidades investigadas, seriam ativadas em um reator nuclear para adquirir propriedades radioativas. O objetivo das pesquisas é estudar como conduzir ou concentrar a radiação na região do tumor, buscando atingir células cancerígenas com maior precisão e preservar os tecidos saudáveis.

Para avaliar essa possibilidade, pesquisadores precisam conhecer e controlar características das nanopartículas, como tamanho, distribuição e comportamento durante a fabricação. O Modelo Padrão Farias emprega cálculos e simulações computacionais para prever a mudança do diâmetro das partículas ao longo do tempo e testar diferentes condições antes de realizar experimentos físicos. A pesquisa, divulgada oficialmente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), também contou com a colaboração da University College London (UCL), no Reino Unido. Desenvolvida em Python, a ferramenta gera imagens sintéticas e representações de técnicas usadas na análise de nanopartículas.

Entre as técnicas representadas estão a microscopia eletrônica de transmissão e o espalhamento dinâmico de luz. Segundo a CNEN, essas simulações podem auxiliar os cientistas a organizar experimentos e analisar resultados, diminuindo a necessidade de algumas etapas de tentativa e erro em laboratório, sem eliminar a utilização de equipamentos. O trabalho reuniu matemática, física nuclear, química, nanotecnologia e computação, e foi desenvolvido durante o mestrado de Matheus no IPEN/USP, com financiamento de uma bolsa da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

Nascido em Arapiraca e criado em Girau do Ponciano, no interior de Alagoas, Matheus estudou em escolas públicas e, quando criança, teve dificuldades com matemática. Aos 18 anos, mudou-se para São Paulo para estudar Física na USP. Durante a pandemia, participou de seleção para uma pós-graduação em Física Médica no Hospital Israelita Albert Einstein, ficou em segundo lugar e recebeu bolsa integral. O curso custava aproximadamente R$ 74 mil, valor que estava fora de suas possibilidades financeiras. Na formação, aprofundou-se nas aplicações da Física à medicina e recebeu uma premiação acadêmica por um artigo científico.

Depois, Matheus voltou à USP para desenvolver estudos no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), onde elaborou o Modelo Padrão Farias. O desenvolvimento está associado a um pedido de patente apresentado ao INPI para o controle preditivo da síntese de nanopartículas metálicas; em reportagem sobre a pesquisa, o pedido foi identificado pelo número BR 10 2026 022701 3. O cientista afirmou ao Só Notícia Boa que continuará estudando para que a pesquisa possa, futuramente, ajudar pacientes oncológicos. “A pesquisa não é só minha, eu fiz mas ela é nossa, é do Brasil, é do povo”, concluiu.

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