
Aos 9 anos, Arthur recebeu uma doação de medula óssea de Florian, um voluntário alemão que se cadastrou em 2019. (Foto: Instagram)
Arthur Barão Massan, de Curitiba, no Paraná, tinha 9 anos quando recebeu, em 2024, o transplante de medula óssea que o salvou. O doador foi Florian Weiand, de 23 anos, que vive na Alemanha. Hoje, Arthur mantém uma rotina saudável e sonha em conhecer Florian pessoalmente. A história também envolve Luiz Fernando Massan, pai do menino, e Tathiane, sua mãe; a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) aparecem nas informações sobre transplantes e cadastro de doadores.
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Florian havia se inscrito como voluntário em 2019. Quatro anos depois, recebeu a informação de que poderia ser compatível com uma criança que precisava de ajuda e estava a aproximadamente 10 mil quilômetros de distância. Ele aceitou participar. As famílias só conseguiram conversar pela primeira vez em maio de 2026, quando Tathiane enviou um e-mail ao jovem para agradecer pela doação. Florian contou que quer conhecer Arthur, abraçá-lo e jogar cartas de Pokémon com ele.
A história médica de Arthur começou em agosto de 2023, quando ele foi diagnosticado com anemia de Fanconi. Essa doença genética rara prejudica o funcionamento da medula óssea, responsável pela produção das células do sangue. A condição pode causar anemia, infecções e sangramentos, além de elevar o risco de determinados tipos de câncer. O transplante foi indicado como tratamento, e a família procurou um doador compatível. Como não havia uma opção adequada entre os familiares, a busca precisou ser feita nos registros internacionais de voluntários. Foi assim que os médicos localizaram Florian, que se cadastrara quatro anos antes sem imaginar que ajudaria uma criança brasileira.
Florian relatou que voltava do trabalho quando soube que era compatível com um paciente que precisava de transplante. “Eu estava voltando do trabalho quando me disseram que havia compatibilidade. Não hesitei em aceitar”, disse. Em 2024, o material coletado na Alemanha percorreu aproximadamente 10 mil quilômetros até o Brasil. O transporte foi concluído em menos de 24 horas, para que as células chegassem em condições adequadas ao procedimento.
O transplante teve resultado, e Arthur apresentou evolução favorável. Ele continua sob acompanhamento médico, mas já não enfrenta a mesma rotina de tratamento de antes. Luiz Fernando Massan descreveu o ocorrido como um milagre: “Eu sempre acreditei em milagres, mas nunca pensei que viveria um”. Durante o processo, a identidade de quem doa e de quem recebe a medula fica preservada. O contato entre as famílias só pode acontecer depois, de acordo com as regras dos registros envolvidos. A primeira conversa entre a família de Arthur e Florian foi em 5 de maio de 2026.
Ao conhecer a história do menino, Florian ficou emocionado. “Foi incrível saber que pude ajudar um menino a viver sua vida e realizar seus sonhos”, afirmou. Desde então, os dois vêm construindo uma amizade à distância. Arthur chama o doador de “irmão alemão”, e Florian também considera o menino parte da família. Ainda não há data marcada para o encontro presencial; Florian disse que gostaria de abraçar Arthur e passar um tempo brincando com ele.
O caso também evidencia o papel dos cadastros internacionais, que ajudam a localizar pessoas geneticamente compatíveis em diferentes países. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, o estado realizou 294 transplantes de medula óssea em 2025 e outros 267 entre janeiro e agosto de 2026. No Brasil, pessoas de 18 a 35 anos, em boas condições de saúde, podem procurar um hemocentro participante do Redome para se cadastrar como doadoras voluntárias.
O cadastro exige uma pequena coleta de sangue para identificar as características genéticas do voluntário, mas não significa que haverá uma doação imediata. Se surgir um paciente potencialmente compatível, o Redome entra em contato para fazer exames complementares e verificar se a pessoa está disponível. Os cadastrados podem permanecer no registro até os 60 anos. O Redome orienta que mantenham atualizados telefone, e-mail e endereço para que possam ser localizados caso alguém precise de ajuda.
