Padilha defende veto às bets e aponta suicídio, vício e violência familiar

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Alexandre Padilha defendeu no STF a proibição das apostas esportivas, citando riscos à saúde pública. (Foto: Instagram)

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou nesta terça-feira (3) os clubes de futebol que se opõem à proibição das apostas esportivas no Brasil. Durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), presidida por Luiz Fux, ele defendeu o veto às bets como uma medida de saúde pública para reduzir danos associados aos jogos.

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Padilha contrapôs a preocupação econômica dos representantes dos clubes, que falaram sobre salários e manutenção dos times, à sua atenção aos efeitos na saúde, especialmente entre as mulheres. Segundo ele, 65% delas sentem vergonha de procurar atendimento médico mesmo quando reconhecem que têm vício em jogos.

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O ministro afirmou que proibir as apostas seria a forma mais eficaz de enfrentar o jogo compulsivo e seus efeitos. Na avaliação dele, a restrição poderia ajudar a evitar suicídios, dependência e violência familiar. Padilha sustentou que impedir a prática no país é a melhor maneira de afastar esses riscos.

Ele também contestou comparações feitas por representantes de clubes com países que legalizaram as apostas e que, segundo eles, teriam melhorado indicadores de saúde. Padilha disse que, nos casos mencionados, não houve melhora: afirmou que nenhum desses países reduziu a procura por serviços de saúde, o risco de suicídio ou a violência familiar relacionada às bets. Também declarou não haver pesquisas nesses locais que apontem melhora nos indicadores de saúde ligados à ludopatia após a legalização.

Padilha acrescentou que os efeitos não se limitam às pessoas que já apresentam comportamento compulsivo ou são mais vulneráveis. Para ele, o impacto maior está na exposição de toda a população ao risco, e impedir as apostas seria a maneira mais eficaz de retirá-lo do conjunto da sociedade.

A audiência ocorreu após Lula assinar uma medida provisória que proibiu no país a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas esportivas e cassinos online. Padilha também citou possíveis danos à saúde pública, à cidadania digital e à segurança pública. Ele apontou uma proximidade indesejável entre o mercado de apostas e o crime organizado, incluindo lavagem de dinheiro.

Dados citados pelo Ministério da Saúde indicam que, desde 2018, polícias e ministérios públicos realizaram 21 operações contra o mercado de apostas em oito estados. Entre as ações, nas 10 operações federais, a Justiça autorizou bloqueios que totalizam cerca de R$ 3,3 bilhões.