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Pesquisa mostra que eleitores nos extremos ideológicos superestimam conhecimento político


Estudo aponta descompasso entre confiança e conhecimento político nos extremos ideológicos, especialmente entre eleitores da extrema-direita. (Foto: Instagram)

Uma análise do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD) indica que eleitores nos dois extremos ideológicos tendem a confiar mais no próprio conhecimento político do que seu desempenho justifica. A diferença entre confiança e resultado foi especialmente acentuada entre participantes da extrema-direita.

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O fenômeno se relaciona ao efeito Dunning-Kruger, descrito em 1999: quem domina pouco determinado assunto pode ter dificuldade para perceber os próprios erros. Em política, reconhecer que se está errado também pode ser visto como uma concessão ao adversário, o que torna o aprendizado mais difícil.

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A pesquisa reuniu 2.923 entrevistas online com pessoas de 16 a 82 anos, realizadas entre 15 e 22 de setembro de 2026, antes do primeiro turno. Os participantes se posicionaram numa escala ideológica de 1, correspondente à extrema-esquerda, a 7, a extrema-direita; o centro era representado pelo número 4. Também avaliaram seu conhecimento político de 1 a 10 e responderam a dez questões sobre a esfera responsável por serviços e áreas de atuação, como iluminação pública, escolas de ensino médio e combate à inflação.

Na extrema-esquerda, a nota média atribuída ao próprio conhecimento foi 6,5, enquanto a média de acertos chegou a 6,9. Na extrema-direita, os valores foram, respectivamente, 6,8 e 6,6. Já no centro, os participantes deram a si mesmos nota 4,4 e acertaram, em média, 6,6 questões. Assim, os resultados não indicam necessariamente que os extremos saibam menos que o centro, mas mostram que avaliam seu conhecimento de maneira mais favorável em comparação com outros grupos.

Como a autoavaliação abrangia política em geral e o teste tratava especificamente de responsabilidades dos governos federal, estadual e municipal, os pesquisadores compararam também a posição relativa de cada entrevistado nas duas distribuições. O indicador considera postos percentis médios da mesma amostra: não corresponde à porcentagem de pessoas nem à diferença entre as notas brutas. A distância entre confiança e desempenho foi positiva nos dois extremos e maior na extrema-direita; o padrão persistiu após considerar idade, gênero, escolaridade, classe social e região, e também com diferentes conjuntos de perguntas.

Cerca de 44% dos participantes identificados como apoiadores de Flávio Bolsonaro se posicionaram no ponto de extrema-direita. A composição ideológica pode ajudar a compreender o descompasso observado nesse eleitorado, mas a pesquisa aponta associações e não demonstra que o apoio a um candidato cause excesso de confiança.

Para jornalistas, professores e comunicadores públicos, os resultados sugerem que corrigir informações pode não ser suficiente. Também é importante criar oportunidades para que as pessoas reconheçam os limites do que sabem, com perguntas concretas e espaço para rever respostas sem constrangimento. O efeito descrito por Dunning e Kruger envolve um duplo fardo: não saber e não saber que não se sabe.

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