Alunas de escola pública criam colar inteligente para proteger mulheres

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Estudantes de Lauro de Freitas criam colar inteligente que envia alertas de emergência e localização em tempo real. (Foto: Instagram)

Quatro estudantes do Centro Estadual de Educação Profissional em Tecnologia, Informação e Comunicação (CEEPTIC), em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, desenvolveram o Calisto, um colar inteligente para ajudar mulheres em situações de risco. Sophia Alconso, Isabelly Lima, Sofia Guerra e Jasmim de Melo criaram o protótipo com orientação da professora Fabíola Botelho. A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti) divulgou a invenção nesta terça-feira (3). Com um botão pressionado duas vezes, o dispositivo envia um pedido de socorro e a localização em tempo real a contatos cadastrados.

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O acessório foi pensado para permitir que uma mulher peça ajuda de modo rápido e discreto, sem chamar a atenção de um possível agressor. Ao dar dois toques no botão físico, ela aciona um alerta pelo aplicativo conectado. O sistema pode compartilhar a localização em tempo real com pessoas de confiança cadastradas previamente, registrar a data e o horário dos acionamentos e permitir que as mensagens de emergência sejam personalizadas. O Calisto ainda está em fase de aperfeiçoamento e não está disponível ao público.

O aplicativo também pode funcionar sem o colar, segundo Sofia Guerra, e conta com uma opção para indicar quando um alerta foi enviado por engano. As estudantes avaliam adaptar a tecnologia para emergências envolvendo crianças e idosos. A proposta inclui diferentes meios de comunicação — internet, mensagens SMS e Bluetooth — para ampliar as possibilidades de envio dos avisos. A equipe ainda precisa aperfeiçoar e validar as funcionalidades antes de uma eventual disponibilização do dispositivo.

A ideia apareceu durante os preparativos para uma feira de ciências. As alunas conversaram sobre problemas enfrentados pela sociedade e decidiram desenvolver uma solução tecnológica voltada a mulheres em situações de violência. “Durante a preparação para a Feira de Ciências, começamos a pensar em algo que pudesse contribuir para melhorar a vida das pessoas, principalmente das mulheres que enfrentam situações de violência”, disse Isabelly Lima, uma das vice-líderes do projeto, à Secti. As estudantes cursam o técnico em Logística e tiveram de aprender programação e desenvolvimento de dispositivos eletrônicos.

Para avançar, elas pesquisaram vídeos, conversaram com professores de robótica e procuraram orientação de ex-alunos e familiares com conhecimentos em tecnologia. O desenvolvimento do protótipo levou aproximadamente um mês, e a primeira versão custou cerca de R$ 80. As alunas calculam que a produção de cada unidade possa custar entre R$ 40 e R$ 80, conforme os materiais utilizados e as etapas de desenvolvimento. O objetivo é que o acessório possa ser usado no cotidiano sem exigir que a mulher tire o celular da bolsa ou faça uma ligação diante de uma ameaça.

As estudantes querem continuar trabalhando no Calisto, mas procuram apoio técnico e parcerias para aperfeiçoar o funcionamento do projeto. “Somos estudantes do segundo ano do ensino médio e criamos o projeto com a esperança de que ele possa ajudar outras pessoas”, afirmou Isabelly Lima à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. A professora Fabíola Botelho destacou que as alunas identificaram um problema, pesquisaram alternativas e assumiram a responsabilidade pelo desenvolvimento. O nome Calisto vem de uma personagem da mitologia grega, associada à constelação da Ursa Maior, presente também na identidade visual; para o grupo, a referência remete a orientação e proteção.