
GM e Engesig adaptam duas Chevrolet S10 Z71 para acompanhar o papa Leão XIV em viagem pela América do Sul, prevista para novembro de 2026. (Foto: Instagram)
A General Motors do Brasil e a Engesig transformaram duas Chevrolet S10 Z71 em papamóveis para a viagem do Papa Leão XIV pela América do Sul, prevista para 6 a 17 de novembro de 2026. As picapes de cabine dupla foram adaptadas em apenas 24 dias. A programação de 12 dias inclui Uruguai, Argentina e Peru, onde o pontífice deverá enfrentar terrenos acidentados.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
A conversão foi conduzida pelo departamento de projetos especiais da GM, com participação da Engesig e alinhamento com as equipes técnicas do Vaticano, responsável por aprovar o desenvolvimento de um novo papamóvel. O prazo brasileiro foi bem menor que os cerca de 90 dias normalmente necessários para uma transformação desse porte, com requisitos de visibilidade, segurança e acessibilidade.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Para criar o espaço papal, a cabine dupla foi convertida em cabine simples. Segundo Luiz Gustavo Moraes, gerente sênior de engenharia de produto responsável pelo projeto, o reforço estrutural que ficava junto à coluna C foi transferido para a parte inferior do assoalho, de modo a preservar a rigidez torcional da carroceria. Ele afirmou que a estrutura mantém o comportamento esperado do veículo e permite enfrentar obstáculos e vias irregulares, condição prevista para o Peru.
A região originalmente ocupada pela caçamba e pela segunda fileira de bancos recebeu um piso plano acarpetado, com assento para o Papa e dois lugares para acompanhantes. O conjunto inclui uma escada elétrica retrátil para o embarque e estruturas laterais destinadas aos seguranças. Uma cabine especial, feita com estrutura metálica e painéis transparentes, protege os ocupantes do vento e do clima sem prejudicar a visão dos fiéis.
Entre as exigências do Vaticano estava a comunicação direta entre o pontífice e o motorista. Para atendê-la, foi criada uma abertura no teto acima da primeira fileira de bancos, com reforços para preservar a rigidez e a segurança da cobertura. As modificações passaram por avaliações de funcionamento e segurança. As picapes mantêm o motor 2.8 turbodiesel, de 207 cv e 52 kgfm, e a tração 4×4 com reduzida, sem limitação de velocidade. Duas unidades foram preparadas para o Peru porque não haveria tempo para deslocar uma picape entre regiões distantes do país durante os seis dias previstos para a visita. Em 2018, a GM também fez um papamóvel para a passagem do Papa Francisco pela Colômbia.
A forma de transportar o Papa mudou ao longo do tempo. No início do século XX, pontífices eram levados na sédia gestatória, um trono carregado por pessoas. Em 1909, um Itala 20/30 foi doado a um Papa, mas os automóveis substituíram oficialmente carruagens e cortejos a pé apenas na década de 1930, no pontificado de Pio XI. Com o aumento das viagens internacionais nas décadas de 1960 e 1970, utilitários elevados e veículos abertos, como o Toyota Land Cruiser, passaram a facilitar a visão das multidões. Após o atentado contra João Paulo II, em 1981, na Praça de São Pedro, ganharam espaço modelos fechados com cúpulas de vidro à prova de balas. Mais recentemente, a busca por proximidade com o público e o uso de veículos locais favoreceram picapes e utilitários adaptados.
