
Mercado espera manutenção da Selic em 13,75% nesta quarta-feira (4). (Foto: Instagram)
A mediana das projeções indica que a Selic ficará em 13,75% nesta quarta-feira (4), em São Paulo. Se confirmada, a decisão do Copom interromperá o ciclo de cortes iniciado em março deste ano. A expectativa de manutenção ganhou força após a reeleição de Lula e a piora na percepção de risco do mercado.
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Um levantamento com 29 economistas e a pesquisa Focus, do Banco Central, apontam estabilidade para a próxima decisão. Nos dois casos, a mediana das estimativas é de 13,75%. Entre os analistas ouvidos, 24 preveem a manutenção da taxa, enquanto cinco ainda consideram possível um corte de 0,25 ponto percentual.
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O Focus também mostrou uma mudança nas expectativas na semana passada, após a reeleição do presidente Lula (PT). Na penúltima semana de outubro, as projeções indicavam Selic de 13,25% no fim deste ano, com reduções previstas nas reuniões de novembro e de 8 e 9 de dezembro. Desde então, o mercado passou a considerar mais difícil conter a inflação.
Entre os fatores apontados estão a desvalorização do câmbio, a incerteza fiscal, a tensão nos juros futuros e a alta do petróleo. A perspectiva de pausa ocorre ainda em meio a críticas de integrantes do governo e do PT à reação dos mercados à vitória de Lula. Após a desvalorização dos ativos na semana passada, aliados do presidente classificaram como especulativa a pressão por ajuste fiscal e defenderam que eventuais cortes de gastos preservem programas sociais.
Na reunião anterior, em 16 de setembro, o Copom não antecipou os próximos passos. O colegiado afirmou que o tamanho total do ciclo de queda seria definido “à luz de novas informações”, com o objetivo de levar a inflação à meta de 3%. Pelo modelo de meta contínua, a autoridade monetária considera que o alvo foi descumprido quando a inflação permanece por seis meses consecutivos fora da faixa de 1,5% a 4,5%.
No cenário de referência do Copom, a inflação deve ficar em 5,2% neste ano, em 3,9% em 2027 e em 3,2% no primeiro trimestre de 2028. O IPCA acumulou alta de 4,58% em 12 meses até setembro, enquanto o Focus projeta inflação de 5,20% no encerramento deste ano. O atual ciclo de redução dos juros é um dos mais suaves desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999; o colegiado tem definido o processo como “calibração”.
Na terça-feira (3), véspera da decisão, a Bolsa caiu 1,42%, para 165.528 pontos, seu menor fechamento desde janeiro e a sexta queda consecutiva. Os contratos de DI para janeiro de 2031 e janeiro de 2035 avançaram mais de 9 pontos-base cada. O dólar subiu 0,70% ante o real, fechando a R$ 5,486, maior cotação desde dezembro de 2025. Também circularam especulações sobre uma possível proposta de André Lara Resende a Lula para criar um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária e tentar equilibrar a trajetória da dívida pública.








