Democratas conquistam Senado e Câmara e impõem derrota histórica a Trump nos EUA

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Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara dos Representantes dos EUA, alterando o equilíbrio de forças em Washington. (Foto: Instagram)

O Partido Democrata venceu as eleições legislativas de terça-feira (3) e conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. A onda azul avançou até redutos republicanos, como Texas, Kansas e Carolina do Sul, alterando o equilíbrio de forças em Washington para os dois últimos anos do mandato de Donald Trump. Com o controle das duas casas, a oposição poderá bloquear propostas, fiscalizar gastos e investigar o governo.

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A vitória foi confirmada na madrugada de quarta-feira (4). No Texas, James Talarico, democrata de 37 anos, derrotou o procurador-geral Ken Paxton, apoiado por Trump. O estado não elegia um senador democrata desde 1988. Ex-professor de escola pública e deputado estadual, Talarico estudou em um seminário presbiteriano e se apresenta como cristão progressista. Sua campanha defendeu a educação pública e o combate à corrupção, além de criticar o custo de vida.

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No Kansas, o pastor metodista democrata Adam Hamilton derrotou o senador republicano Roger Marshall. O estado não elegia um democrata para o Senado desde 1932. A democrata Gina Hinojosa também venceu a disputa pelo governo do Texas, derrotando Greg Abbott; na Carolina do Sul, Annie Andrews conquistou uma cadeira ao superar Darline Graham, apoiada por Trump. Os democratas ainda tomaram assentos republicanos em Iowa, Ohio, Maine e Carolina do Norte. Na Geórgia, Jon Ossoff foi reeleito senador, derrotando Mike Collins.

A economia, o custo de vida e a guerra com o Irã estiveram entre os principais temas da campanha. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2) registrou aprovação de 32% para Trump, perto do menor índice de sua carreira política, de 31%. O levantamento apontou que 48% dos eleitores registrados citaram o custo de vida como principal preocupação; 26% mencionaram a defesa das instituições democráticas e 13%, a imigração. Para 49%, a situação financeira familiar piorou desde janeiro de 2025, quando Trump voltou à Casa Branca; 13% disseram que melhorou.

Trump participou de comícios e apoiou candidatos republicanos, mas a insatisfação econômica e os efeitos da guerra com o Irã pesaram nas urnas. Após a derrota, tentou se distanciar do resultado nas redes sociais, afirmando que não estava na cédula e que teria vencido por ampla margem se estivesse. À CBS News, disse que pretende usar o poder de veto contra projetos aprovados pelo Congresso e sugeriu que poderia ser chamado de “Senhor Veto”.

A Constituição permite ao presidente vetar leis, mas a derrubada de um veto exige dois terços dos votos em cada casa do Congresso. O novo Legislativo, que toma posse em janeiro de 2027, poderá convocar integrantes do governo, investigar decisões da administração e ampliar o controle sobre o orçamento. Trump continuará conduzindo a política externa e poderá usar decretos presidenciais nos limites legais, mas o Congresso controla recursos, fiscaliza o Executivo e participa da aprovação de autoridades e tratados.

A conquista democrata muda a segunda metade do mandato de Trump, que começou com os republicanos no controle da Casa Branca e das duas casas do Congresso. As vitórias em estados conservadores também projetam lideranças como Talarico e abrem discussões sobre os rumos do Partido Republicano. O resultado pode influenciar a disputa de 2028, quando os americanos escolherão o sucessor de Trump, impedido pela Constituição de buscar um terceiro mandato. Até lá, são esperados confrontos legislativos, investigações e negociações sobre o orçamento federal.