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Democratas derrotam o presidente Donald Trump, conquistam Congresso e elegem brasileiros


Democratas conquistam o Congresso dos EUA e ampliam a diversidade na política (Foto: Instagram)

Os democratas derrotaram o presidente Donald Trump nas eleições de terça-feira (3), conquistaram a Câmara e o Senado e elegeram representantes de grupos historicamente pouco presentes na política. Entre os nomes em destaque estão Felipe Sousa Lazaballet, Priscila Sousa, Rita Mendes, Danillo Sena, Farley Santos, Ed Vachovetz, Keisha Lance Bottoms, Rick Jackson, Deb Haaland, Peggy Flanagan, Michele Tafoya, Chris Pappas, Gina Hinojosa, Greg Abbott, Abdul El-Sayed, Amy Acton, Xavier Becerra, Byron Donalds, James Talarico, Ken Paxton, Lula, Flávio Bolsonaro, André Janones, Hakeem Jeffries, Barack Obama e Joe Biden. A eleição teve brasileiros eleitos em assembleias estaduais e marcou conquistas inéditas para mulheres, indígenas, negros e representantes LGBTQIA+.
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A vitória democrata alcançou estados tradicionalmente republicanos. No Texas, o partido conquistou o governo estadual e uma cadeira no Senado, encerrando décadas de domínio republicano nessas disputas. No Kansas, elegeu um senador democrata pela primeira vez desde a Grande Depressão, há quase um século. Também avançou em Ohio, Iowa e nas duas Carolinas. Uma pesquisa de boca de urna divulgada pela imprensa americana indicou que 70% dos entrevistados querem que o Congresso imponha mais limites ao poder de Trump. A insatisfação com o custo de vida, a guerra contra o Irã e a condução do governo contribuiu para o resultado.

Felipe Sousa Lazaballet, de 40 anos, nasceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e foi eleito deputado estadual na Flórida com 62,4% dos votos. Filho de uma empregada doméstica, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar uma cadeira no Legislativo estadual da Flórida e o primeiro imigrante assumidamente gay eleito para o cargo. Chegou aos Estados Unidos aos 14 anos, em 2001, e passou aproximadamente 15 anos sem documentação migratória regularizada. Aos 16, soube que sua situação poderia impedi-lo de entrar na universidade, mas estudou relações internacionais no Miami Dade College, instituição que aceitava estudantes nessa condição.

Em 2010, Felipe participou de uma caminhada de 1.500 quilômetros, da Flórida a Washington, em defesa da regularização de jovens imigrantes. Depois, foi beneficiado pelo Daca, programa criado durante o governo Barack Obama, e trabalhou em organizações de apoio a imigrantes e à comunidade LGBTQIA+. Conquistou a cidadania americana em 2021. Nas redes sociais, disse que sua história representa o sonho americano e que teria o privilégio de lutar por amigos e vizinhos como representante eleito. Em Massachusetts, Priscila Sousa, Rita Mendes e Danillo Sena foram reeleitos para a Câmara estadual. Em Connecticut, Farley Santos foi reeleito pelo Distrito 109, derrotando o republicano Ed Vachovetz e garantindo seu terceiro mandato. Segundo levantamento divulgado pela RFI na quarta-feira (4), pelo menos cinco brasileiros conquistaram ou renovaram mandatos em assembleias legislativas americanas; todos concorreram pelo Partido Democrata.

Entre as vitórias inéditas, Keisha Lance Bottoms foi eleita a primeira mulher negra governadora de um estado americano. Ex-prefeita de Atlanta, derrotou Rick Jackson e devolveu o governo da Geórgia aos democratas. Deb Haaland, integrante do povo Laguna Pueblo e ex-secretária do Interior, tornou-se a primeira mulher indígena eleita governadora nos Estados Unidos. Peggy Flanagan, do povo Ojibwe, foi a primeira mulher indígena eleita senadora americana, derrotando Michele Tafoya em Minnesota. Em New Hampshire, Chris Pappas tornou-se o primeiro homem assumidamente gay eleito para o Senado; ele já ocupava uma cadeira na Câmara desde 2019. Gina Hinojosa foi a primeira mulher latina eleita governadora do Texas, derrotando Greg Abbott, que estava no terceiro mandato. Em Michigan, Abdul El-Sayed, médico e ex-dirigente de saúde pública, tornou-se o primeiro muçulmano eleito senador dos Estados Unidos. Amy Acton foi a primeira mulher eleita governadora de Ohio, e Xavier Becerra, que havia sido secretário de Saúde no governo Joe Biden, foi o primeiro latino eleito governador da Califórnia. Na Flórida, Byron Donalds tornou-se o primeiro republicano negro eleito governador de um estado americano.

A derrota dos republicanos também chegou a redutos onde o presidente havia obtido forte apoio em 2024. Na Carolina do Sul, os democratas derrotaram o candidato ao Senado apoiado por Trump, que vencera o estado por quase 18 pontos percentuais dois anos antes. No Texas, James Talarico venceu Ken Paxton e conquistou uma cadeira dominada pelos republicanos havia décadas. Segundo a Associated Press, os democratas também ganharam mais de duas dezenas de cadeiras na Câmara dos Representantes. A mudança foi acentuada entre eleitores latinos: condados próximos à fronteira do Texas com o México, que haviam se inclinado aos republicanos em 2024, voltaram a votar majoritariamente nos democratas.

A eleição ocorreu nove dias depois da reeleição de Lula no Brasil. Em 25 de outubro, Lula derrotou Flávio Bolsonaro no segundo turno, após mobilização de milhões de brasileiros em defesa da democracia. Em França, Espanha e Argentina, movimentos passaram a reproduzir estratégias digitais semelhantes às do Exército do Lula, organizado pelo deputado federal André Janones; iniciativas buscam reunir apoiadores e divulgar informações, e a mobilização por WhatsApp chamou atenção. Com o controle do Congresso, os democratas poderão barrar projetos do governo, investigar possíveis irregularidades e exigir explicações de integrantes da administração. O Senado também poderá rejeitar indicações presidenciais, inclusive para cargos de magistrados federais. Trump continuará na Presidência, mas perderá a maioria parlamentar; a nova composição tomará posse em janeiro de 2027 e atuará nos dois últimos anos do mandato. Ele reconheceu a vitória e parabenizou os adversários, mas negou que o resultado fosse uma rejeição pessoal. Hakeem Jeffries, líder da oposição, é favorito para se tornar o primeiro presidente negro da Câmara, escolha que dependerá dos deputados na abertura da nova legislatura.

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