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Grupo ligado à China usou IA em tentativa de espionagem de governos na América Latina


Grupo de espionagem associado à China usou inteligência artificial em ataques contra autoridades diplomáticas na América Latina, segundo relatório da CrowdStrike. (Foto: Instagram)

Um grupo de espionagem associado à China recorreu à inteligência artificial para tentar acessar dados de autoridades diplomáticas em dois países da América Latina e, possivelmente, em um terceiro. A CrowdStrike divulgou as informações em um relatório publicado na quinta-feira (29), sem identificar quais países foram alvo.

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Segundo o documento, a ofensiva atingiu mais de 200 organizações em pelo menos 14 países. Entre os alvos estavam ministérios das Relações Exteriores na Ásia e na América Central, empresas de semicondutores e defesa nos Estados Unidos e, em um país europeu, a presidência e o gabinete do primeiro-ministro.

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A CrowdStrike identificou o grupo como “Vapor Panda” e afirmou que ele opera desde 2021. Esta foi a primeira ocasião em que a empresa observou o uso de inteligência artificial pelos hackers. Na ação, eles utilizaram o ARTEX, software de código aberto desenvolvido recentemente por um programador chinês para testar a segurança de redes e baseado principalmente no modelo DeepSeek.

O desenvolvedor fechou o código do ARTEX em 8 de outubro, depois de perceber que a ferramenta estava sendo usada indevidamente. Os ataques começaram nove dias mais tarde, em 17 de outubro, e duraram 11 dias. De acordo com o relatório, o programa transforma o trabalho de uma equipe de hackers em um processo semelhante a uma linha de montagem: a IA pode atacar diversos alvos ao mesmo tempo, enquanto um operador humano toma decisões em chinês.

A CrowdStrike estima que uma pessoa consegue executar até 40 comandos por hora. Com o ARTEX, porém, esse total pode passar de 1.500. Em outubro, a Microsoft também informou que outro grupo ligado ao governo chinês havia usado o mesmo programa contra centenas de organizações.

Nos dias anteriores à ofensiva, o governo da China sugeriu incluir agentes de inteligência artificial na relação de tecnologias com exportação controlada, citando motivos de segurança nacional. Para a CrowdStrike, o caso mostra como ferramentas de código aberto desse tipo chegaram a grupos associados ao Estado chinês. O relatório alerta ainda que a automação pode reduzir o custo de ataques a chancelarias e aumentar a vulnerabilidade de ministérios latino-americanos, que em geral contam com equipes de TI pequenas. Entre os possíveis interesses de quem busca antecipar posições estão Taiwan e acordos de mineração.

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