
Democratas retomam o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos após vitórias além das previsões. (Foto: Instagram)
O Partido Democrata retomou a maioria na Câmara e no Senado dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, encerradas na terça-feira (03/11). Os ganhos superaram as previsões e alcançaram até redutos republicanos históricos. Considerado um plebiscito sobre Donald Trump, o resultado representou uma dura derrota para o presidente e sua agenda política.
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Embora pesquisas e projeções já apontassem uma boa noite para os democratas, a dimensão das vitórias surpreendeu analistas. No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton e se tornou o primeiro senador democrata eleito pelo estado em 38 anos. Na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu a senadora Darline Graham, numa disputa que os democratas não ganhavam desde 1998.
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Em Ohio, estado vencido por Trump três vezes, Sherrod Brown conquistou a disputa ao Senado. No Kansas, Adam Hamilton derrotou o republicano Roger Marshall, que tentava a reeleição; os democratas não elegiam um senador pelo estado desde 1932. A participação de eleitores fiéis ao partido e de independentes, além da decisão de lançar candidatos em todas as disputas, contribuiu para os resultados.
A recuperação do Congresso, porém, também traz responsabilidades para os democratas. Os eleitores podem cobrar propostas para enfrentar os problemas econômicos, e não apenas oposição a Trump. O presidente, por sua vez, poderá dividir com o partido a responsabilidade pelo desempenho da economia e ainda terá o poder de veto sobre iniciativas legislativas.
A insatisfação com os preços foi central na votação. Resultados preliminares e pesquisas de boca de urna indicaram rejeição a Trump e à sua agenda: quase dois terços dos entrevistados responsabilizaram o presidente pela alta dos preços, e três quartos disseram estar irritados ou insatisfeitos com os rumos do país. Quase nove em cada dez consideraram o custo de vida crucial ou muito importante para o voto.
Eleito em 2024 com a promessa de conter a inflação, Trump enfrentou críticas pelo impacto de tarifas sobre produtos estrangeiros e da guerra contra o Irã na economia. Nos últimos dias da campanha, ele e outros republicanos tentaram associar os democratas ao comunismo e ao radicalismo. Mas os eleitores priorizaram os preços dos alimentos e dos combustíveis e cobraram propostas para reduzir o custo de vida.
Candidatos apoiados por Trump também tiveram desempenho abaixo do esperado, inclusive em estados nos quais os republicanos eram considerados favoritos. As derrotas podem renovar as dúvidas sobre o julgamento político do presidente e sua preferência por aliados leais. Entre os latinos, seu apoio também recuou: após conquistar 46% do voto hispânico em 2024, recebeu agora o apoio de cerca de um terço, segundo pesquisas de boca de urna. Na Flórida, Pia Dandiya venceu no 22º distrito congressional; Gina Hinojosa e Xavier Becerra conquistaram vitórias históricas no Texas e na Califórnia, respectivamente.
O apoio a Trump também diminuiu entre jovens e eleitores negros. Cerca de sete em cada dez pessoas com menos de 30 anos votaram em candidatos democratas à Câmara, enquanto aproximadamente nove em cada dez eleitores negros apoiaram o partido. Moderados como Josh Shapiro e Wes Moore foram reeleitos governadores, e o progressista Abdul El-Sayed venceu Mike Rogers em Michigan. Mesmo assim, a insatisfação de cerca de metade dos eleitores com os democratas pode alimentar disputas internas e influenciar a corrida presidencial de 2028.
