Paes pede ao TRE a cassação da chapa de Douglas Ruas no Rio

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Campanha de Eduardo Paes pede ao TRE-RJ a cassação da chapa eleita de Douglas Ruas e Fernanda Louback, apontando suspeitas de compra de votos, coação e propaganda enganosa. (Foto: Instagram)

A campanha de Eduardo Paes (PSD) apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro uma ação para cassar a chapa de Douglas Ruas (PL), governador eleito, e de sua vice, Fernanda Louback (PL). A representação aponta suposta compra de votos, coação de eleitores e propaganda enganosa.

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Os advogados do ex-prefeito alegam que houve uma ação organizada para levar eleitores a anularem seus votos e, assim, interferir no resultado da eleição estadual. Pedem a anulação do registro ou dos diplomas de Ruas e Fernanda, a invalidação dos votos da chapa e a inelegibilidade dos dois por oito anos. Até quarta-feira (4), o TRE não havia se manifestado sobre o caso. Consultada, a assessoria do governador eleito não respondeu.

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Um dos pontos centrais da ação são materiais impressos que, segundo a coligação de Paes, associavam indevidamente o número 13 ao candidato do PSD. Paes concorreu com o número 55. A representação afirma que as peças exploravam sua ligação com o presidente Lula (PT), que o apoiou, para induzir eleitores a votar em um número diferente e anular o voto.

Segundo dados do TRE, mais de 204,3 mil eleitores digitaram 13 na urna para governador. A campanha de Paes sustenta que esse total indicaria o alcance da suposta estratégia e afirma que parte desses votos poderia ter sido destinada ao ex-prefeito. Nesse cenário, Ruas não teria alcançado a maioria absoluta que lhe deu a vitória no primeiro turno. Ele foi declarado eleito com 4.271.199 votos, ou 50,88% dos válidos; Paes recebeu 3.706.984, equivalentes a 44,16%. A diferença foi de 564.215 votos.

A ação também cita uma peça intitulada “Douglas Ruas – Evangélico”, que apresentava o candidato do PL como defensor de valores cristãos e atribuía a Paes posições favoráveis ao aborto, à liberação das drogas e à adoção de banheiros unissex. Os advogados dizem que as informações eram falsas e que o material buscava atingir eleitores evangélicos. De acordo com a representação, foram impressos 100 mil exemplares, pagos com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). A coligação considera relevante analisar o uso de verba pública em propaganda que classifica como falsa.

Outro material mencionado consistia em santinhos com o nome e a foto de Paes, mas com o número 22, usado por Ruas. A representação afirma que parte dos impressos não identificava quem os contratou nem a gráfica responsável. Em Niterói, a campanha também relatou a apreensão de R$ 600 mil em espécie e de planilhas com Priscila Alencar dos Santos, filha da deputada federal Soraya Santos (PL). Os advogados reconhecem que a apreensão, por si só, não comprova compra de votos, mas pedem que o episódio seja investigado.

Em Teresópolis, segundo o documento, foram encontrados materiais da campanha de Ruas, um crachá de fiscal partidário e R$ 2 mil em um veículo no dia da votação. A ação ainda reúne publicações em redes sociais sobre supostas ofertas de dinheiro por votos em diferentes cidades do estado, com valores entre R$ 50 e R$ 200. A campanha de Paes descreve o conjunto como uma “estratégia coordenada de desinformação, manipulação do eleitorado e compra de votos” e pede que a Justiça compartilhe com o TRE investigações e procedimentos da Polícia Federal, da Polícia Civil e do Ministério Público Eleitoral.