
Três décadas após viver Xica da Silva na TV, Taís Araújo levará a personagem à Sapucaí no Carnaval 2027. (Foto: Instagram)
Taís Araújo, hoje com 47 anos, foi anunciada como destaque do Salgueiro, no Rio de Janeiro, para o Carnaval 2027. Trinta anos depois de protagonizar Xica da Silva, novela da extinta TV Manchete, ela participará de um carro alegórico que levará a história à Marquês de Sapucaí. A trajetória homenageada é a de Francisca da Silva de Oliveira, mulher negra que viveu no século XVIII. A participação de Taís foi confirmada em um evento na quadra da escola, e o enredo “Laroyê Xica da Silva: A História por Trás da História” foi desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira e pelo enredista Leonardo Antan. A visita de Taís ao barracão, em agosto, foi acompanhada pela mãe, Mercedes. A história também se relaciona a João Fernandes de Oliveira, ao antigo Arraial do Tijuco, atual Diamantina, e a documentos do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e da Memória do Judiciário de Minas Gerais.
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A confirmação ocorreu no último sábado (31), durante uma celebração na quadra do Salgueiro. Taís Araújo vai desfilar em um dos carros alegóricos da escola vermelho e branco, que apresentará na Marquês de Sapucaí a história de uma mulher negra que conquistou liberdade e influência no Brasil colonial. Os detalhes da fantasia ainda não foram divulgados. A atriz conheceu o projeto de Jorge Silveira quando visitou o barracão em agosto, ocasião em que soube em qual carro participará.
Em 1996, aos 17 anos, Taís Araújo interpretou a protagonista de Xica da Silva, na novela da extinta TV Manchete. O papel deu projeção nacional à jovem atriz e se tornou um marco da representatividade negra na televisão brasileira. Agora, três décadas depois, ela volta a se encontrar com a personagem em uma das maiores festas populares do país. O enredo de 2027, criado por Jorge Silveira e Leonardo Antan, propõe apresentar a trajetória de Francisca da Silva de Oliveira de forma mais ampla, para além das representações feitas em livros, filmes, novelas e desfiles.
Nascida escravizada em Minas Gerais, Francisca da Silva conquistou a liberdade e construiu um percurso incomum para uma mulher negra daquele período. Ela ficou conhecida pela relação com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, com quem teve filhos, e pela posição social que alcançou na região do antigo Arraial do Tijuco, hoje Diamantina. A pesquisa do Salgueiro também se apoia em documentos históricos que ajudam a revelar aspectos menos conhecidos da vida de Francisca e a questionar as versões que se tornaram populares.
Entre os registros usados está um testamento de 1770, divulgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais em 2025. O documento reúne informações sobre bens, herdeiros e decisões de Xica, contribuindo para uma compreensão mais detalhada da mulher por trás das representações conhecidas. Depois dos trabalhos de restauração, o testamento deverá integrar o acervo da Memória do Judiciário de Minas Gerais. Leonardo Antan desenvolveu a pesquisa que fundamenta o enredo, que pretende mostrar que a história de Xica da Silva vai além das versões famosas na televisão e no cinema.
O Salgueiro já levou Xica da Silva à avenida em 1963 e conquistou o título do Carnaval carioca com o desfile. Em 2027, 64 anos depois, a escola retoma o tema com novas pesquisas e a proposta de recuperar o protagonismo histórico de Francisca da Silva, trazendo à luz aspectos pouco conhecidos de sua vida. Para Taís Araújo, o desfile será uma oportunidade de reencontrar a personagem que marcou sua carreira e uma geração de telespectadores. Desta vez, esse reencontro acontecerá diante do público do Carnaval carioca, na Marquês de Sapucaí.
