
Aos 18 anos, estudante de Brasília criou uma ferramenta de inteligência artificial para identificar microplásticos e ajudar a mapear resíduos no Lago Paranoá. (Foto: Instagram)
Em Brasília (DF), Tom Silva Nunes, de 18 anos, desenvolveu um método com inteligência artificial para identificar microplásticos em amostras de água. O estudante também criou o site Isopor no Paranoá, voltado a registrar resíduos no Lago Paranoá. O trabalho foi apresentado na 14ª Feira Brasileira de Trabalhos de Iniciação Científica na Educação Básica e Técnica e pré-selecionado para o 32º Prêmio Jovem Cientista, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Segundo o Correio Braziliense, o resultado da premiação está previsto para novembro de 2026. A professora Beatriz Barcelos, da Universidade Católica de Brasília, comentou o potencial do mapeamento.
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Tom começou a estudar a questão dos microplásticos há aproximadamente dois anos. Aluno do terceiro ano do ensino médio, ele buscava um meio de reconhecer partículas muito pequenas, que podem passar despercebidas na água. Para isso, montou uma caixa compacta com peças produzidas por impressora 3D, lentes e luzes de LED. O equipamento usa Rodamina B, um corante químico que auxilia na visualização de micropartículas de isopor nas amostras.
Na preparação do sistema, Tom reuniu informações sobre mais de 2 mil micropartículas para treinar a inteligência artificial. A ferramenta pode distinguir partículas de isopor de outros materiais, indicar a área ocupada por elas e estimar suas dimensões. Assim, o método combina a visualização das partículas com a análise feita pelo sistema, que ajuda a separar o isopor da matéria orgânica e de outros elementos presentes nas amostras de água.
Nos testes realizados com água do Lago Paranoá, Tom encontrou micropartículas de isopor e também fragmentos maiores do material. A observação levou o estudante a pensar em uma forma de permitir que moradores e visitantes colaborassem com o monitoramento. Dessa iniciativa nasceu o site Isopor no Paranoá, plataforma na qual qualquer pessoa pode informar a presença de resíduos, apontar a região onde os encontrou e estimar o tamanho do material.
O mapa disponível na plataforma divide o Lago Paranoá em nove regiões. Quando o projeto foi apresentado, cinco delas já haviam sido exploradas. Para participar dos registros, não é preciso contar com equipamentos científicos: a proposta é que a população informe o que encontra no lago. Os dados reunidos podem ajudar a identificar onde há resíduos e compor um panorama mais amplo da distribuição do isopor.
O Lago Paranoá recebe águas de diferentes regiões do Distrito Federal e é utilizado também para o abastecimento humano, além de atividades de lazer e esportes. Por esse motivo, acompanhar a poluição contribui para a proteção ambiental. Beatriz Barcelos, engenheira ambiental e professora da Universidade Católica de Brasília, explicou ao Correio Braziliense que o mapeamento pode revelar áreas com maior concentração de resíduos. Essas informações podem embasar mutirões de limpeza e medidas do poder público, entre elas a instalação de estruturas para reter o lixo antes que ele se espalhe pela água.
Tom Silva Nunes vê na ciência uma maneira de entender o mundo e buscar soluções para problemas que afetam a sociedade. A preocupação com os microplásticos motivou o desenvolvimento da tecnologia, enquanto a participação popular orientou a criação da plataforma. Ao reunir registros feitos por moradores e visitantes, o projeto busca ampliar o monitoramento do Lago Paranoá e fornecer informações que possam contribuir para sua preservação. A iniciativa, apresentada na feira e pré-selecionada para o prêmio do CNPq, associa o equipamento de análise ao levantamento colaborativo de resíduos.
