
Aos 8 anos, Robson foi abandonado e passou a viver nas ruas. Anos depois, conheceu Zezé Motta por acaso — e ouviu dela: “Agora eu sou sua mãe”. (Foto: Instagram)
Robson, filho de Zezé Motta, contou a Paulo Vieira como foi abandonado aos 8 anos, viveu nas ruas do Rio de Janeiro e conheceu a atriz por acaso, em um casamento. Aos 45 anos, ele se emocionou ao lembrar, no programa Avisa Lá Que Eu Vou, da GNT, do momento em que Zezé disse: “Agora eu sou sua mãe”. O vídeo publicado no Instagram de Paulo Vieira já ultrapassou 1,4 milhão de visualizações.
++ Método baseado em IA chama atenção por transformar perfis comuns em negócios digitais
Robson contou que sua mãe foi vítima de estupro e o entregou a um casal para criar. Anos depois, esse casal o abandonou no calçadão de Nilópolis, quando ele tinha oito anos, dizendo que alguém voltaria para buscá-lo. “Tu vai ficar aqui no calçadão, depois alguém vai vir te buscar”, recordou. Como ninguém apareceu, o menino viu um trem, passou por baixo da roleta e embarcou sem saber para onde ia. “Eu olhei o trem, porque na minha cabeça o trem sempre ia pra algum lugar. E eu falei: ‘Opa, vou entrar no trem’.” Assim chegou à Central do Brasil, onde viveu nas ruas até os 13 anos.
Na Central do Brasil, Robson esperava que alguém entre as muitas pessoas que circulavam pela estação percebesse que ele estava sozinho e o levasse para casa. Seu maior sonho, contou, era ter uma família, uma geladeira e um lugar para morar. Uma pessoa que frequentava um quiosque sugeriu que procurasse o Juizado de Menores, onde poderia receber ajuda para estudar e tentar entrar no processo de adoção. Robson foi sozinho e explicou aos funcionários: “Eu sou de rua, moro na Central do Brasil, queria tanto uma família, sabe? Eu queria ter uma família”. Ele foi encaminhado para um abrigo, começou a estudar e encontrou educadores que o ajudaram a construir uma nova rotina.
No abrigo, um educador social sorteou jovens para acompanhá-lo ao casamento que teria em Nilópolis. Robson foi escolhido e aceitou, como contou a Paulo Vieira, porque queria comer. Na cerimônia, uma mulher se sentou ao lado dele e perguntou se era parente do noivo. Robson explicou que morava no abrigo e estudava, e que tinha ido principalmente para comer. Ao ouvir a história do menino, Zezé Motta prometeu visitá-lo na sexta-feira seguinte: “Então sexta-feira eu vou lá no abrigo e você vai ser meu filho”. Ela cumpriu a promessa e disse: “Agora eu sou sua mãe”. Ao recordar o encontro, Robson chorou e emocionou Paulo Vieira. Mônica Martelli escreveu “Gente que emocionante. Zezé maravilhosa”; Ingrid Guimarães disse “Que coisa linda”; Fátima Bernardes comentou “Que emocionante”; e Deborah Bloch declarou: “Que história linda. Viva Zezé Motta maravilhosa demais. Te amo”.
Robson publicou em 2007 o livro À Procura de uma Família, sobre sua infância e a importância dos vínculos familiares. Em depoimento ao Museu da Pessoa, em 2016, relatou que a convivência com Zezé abriu oportunidades de estudo e formação artística. Também recebeu apoio do ator Stepan Nercessian e de profissionais ligados à proteção da infância. Em 2009, criou a Rede Cultura Social, organização voltada a ampliar o acesso de crianças e adolescentes a atividades culturais. Conforme o registro do Museu da Pessoa, o projeto levou mais de 4,5 mil crianças e adolescentes a teatros, cinemas e museus. Robson também escreveu peças teatrais, trabalhou em iniciativas de atendimento a jovens em situação de acolhimento e teve sua trajetória registrada no acervo do Museu da Pessoa com o título Desabandono.
Zezé Motta, cujo nome verdadeiro é Maria José Motta, nasceu em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, em 27 de junho de 1944. Começou a carreira profissional em 1968 no musical Roda Viva, de Chico Buarque, dirigido por José Celso Martinez Corrêa. Ao longo de quase seis décadas, participou de mais de 70 filmes e de dezenas de novelas e produções para a televisão. O reconhecimento internacional veio com Xica da Silva, filme de 1976 dirigido por Cacá Diegues. Na televisão, atuou em Corpo a Corpo (1984), A Próxima Vítima (1995), Corpo Dourado (1998) e O Outro Lado do Paraíso (2017). Também esteve na novela Xica da Silva, exibida pela Rede Manchete em 1996, como mãe da protagonista interpretada por Taís Araújo. Em 2026, voltou às novelas da Globo em A Nobreza do Amor, como Dona Menina. Sua carreira musical inclui mais de dez discos e apresentações nos Estados Unidos, França, Alemanha, Angola e Portugal.
Zezé contou em entrevistas que sofreu três abortos espontâneos e não teve filhos biológicos. Em 2024, disse ao Gshow que adotou quatro filhos: Luciana, Carla, Cíntia e Robson. A atriz também esteve entre os fundadores do Movimento Negro Unificado, criado em 1978, e participou de iniciativas para ampliar a presença de artistas negros no cinema, no teatro e na televisão. Em Corpo a Corpo, sua personagem Sônia teve um relacionamento amoroso com um homem branco, interpretado por Marcos Paulo; a trama provocou manifestações racistas de parte do público, episódio que Zezé relembrou em entrevistas. Ela também ajudou a fundar o Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro, o Cidan. Em março de 2026, recebeu uma homenagem especial no Prêmio Shell de Teatro. A atriz, que iniciou a carreira nos palcos em 1968, continua trabalhando e participando de produções culturais.








