
Professores apresentam modelos de redação sobre envelhecimento, tema do Enem 2025, como referência para os candidatos de 2026. (Foto: Instagram)
Em poucos dias, mais de 5 milhões de candidatos farão o Enem 2026. A redação, aplicada no primeiro dia de provas, que começa no próximo domingo, 8 de novembro, costuma gerar expectativa, especialmente pela escolha do tema. Para ajudar os estudantes a se prepararem, são apresentados exemplos de textos dissertativo-argumentativos escritos por professores sobre a proposta da edição anterior.
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Em 2025, os participantes escreveram sobre “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. A redação pode ter até 30 linhas e avalia a capacidade de argumentação e escrita. É necessário apresentar uma tese, desenvolver argumentos consistentes e propor uma solução para o problema abordado. A prova vale até mil pontos e tem peso importante no resultado do exame; quem recebe nota zero não pode usar a pontuação para ingressar em universidades públicas ou privadas, nem concorrer a bolsas ou intercâmbios.
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João Vinícius Albuquerque Pimentel, professor de redação do Poliedro, e a equipe de redação da instituição abordam o preconceito etário a partir do filme “O Senhor Estagiário”. Na obra, um homem de 70 anos tenta voltar ao mercado de trabalho, mas enfrenta obstáculos ligados à idade. O texto relaciona essa situação à lógica capitalista, que tende a valorizar quem produz ou consome, e à marginalização de idosos vistos como frágeis ou improdutivos. Também aponta que a mídia e o mercado difundem padrões de juventude por meio de publicidade e procedimentos estéticos.
Como proposta, os autores defendem que o Poder Executivo Federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, promova campanhas educativas nas mídias para incentivar visões positivas sobre a velhice e reconhecer a experiência e a sabedoria dos idosos.
Denise Leal Franco, autora do Fibonacci Sistema de Ensino, parte de uma reflexão de Chateaubriand sobre a velhice para discutir o amparo aos idosos. Ela afirma que o artigo 230 da Constituição de 1988 atribui ao Estado o dever de protegê-los, mas aponta dificuldades de acesso à saúde, sobretudo entre pessoas de baixa renda e moradores de áreas periféricas. O SUS, segundo o texto, precisa se adaptar às necessidades dessa população, inclusive com mais geriatras. A redação cita pesquisa divulgada pelo Estadão que indica déficit de 28 mil médicos especialistas em atendimento à população idosa, além de destacar a demora por consultas e o acompanhamento prejudicado de doenças crônicas, como diabetes.
A autora também critica a negligência de familiares e a falta de afeto, associadas à ideia de que idosos valem menos e à dificuldade de parte da sociedade de se imaginar envelhecendo. Para enfrentar o problema, propõe que o Ministério da Saúde contrate mais geriatras, especialmente para áreas carentes, e que o Estado realize campanhas para estimular a empatia e reforçar a responsabilidade familiar. Entre os temas de edições anteriores estão a herança africana no Brasil, em 2024; o trabalho de cuidado realizado pelas mulheres, em 2023; e a invisibilidade do registro civil, em 2021.
