
Sindicatos convocaram uma greve nacional na França por aumentos salariais e defesa do poder de compra. Estudantes, coletes amarelos e organizações agrícolas também aderiram à mobilização. (Foto: Instagram)
A França enfrenta nesta quinta-feira (5) uma nova jornada de mobilização social. Sindicatos convocaram trabalhadores dos setores público e privado para uma greve nacional em defesa do poder de compra e por aumentos salariais. Estudantes do ensino médio e universitários, coletes amarelos e organizações agrícolas também participam, em meio à insatisfação com a inflação e as propostas econômicas do governo.
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Esta é a primeira grande convocação sindical desde o fim das férias de verão. As centrais esperam uma adesão semelhante à dos protestos contra a reforma da Previdência, em 2023, quando algumas jornadas reuniram até 1,3 milhão de pessoas, segundo as autoridades. Para esta quinta, a estimativa oficial prevê de 500 mil a 700 mil manifestantes fora de Paris e de 40 mil a 80 mil na capital. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou o deslocamento de 70 mil policiais e prometeu “extrema firmeza” diante de violência ou vandalismo. No começo da manhã, os efeitos da greve no transporte parisiense eram limitados, embora passageiros relatassem atrasos e cancelamentos.
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Entre as reivindicações estão a valorização do salário mínimo francês, conhecido como Smic, reajustes salariais, mais justiça fiscal, proteção dos serviços públicos e melhores condições de ensino. O tema do salário mínimo ganhou destaque depois que o ministro do Trabalho disse esperar fazer anúncios “por volta de 5 de novembro”, sem esclarecer se haverá aumento real. Frédéric Souillot, dirigente da central Force Ouvrière (FO), cobrou decisões mais rápidas e a abertura de negociações salariais abrangentes. Ele mencionou a possibilidade de novos atos e até de uma greve por tempo indeterminado.
A contestação também é alimentada pela alta dos preços dos combustíveis e por um projeto orçamentário que prevê cortes nas despesas públicas. Pesquisa divulgada na quarta-feira (4) por organizações de trabalhadores do “Pacto pelo Poder de Viver”, entre elas a CFDT, indica que metade das pessoas tem dificuldade para viver com a renda de seu domicílio. Desde o início de setembro, manifestantes também vêm criticando limitações ao direito de protestar, após autoridades locais proibirem ou restringirem percursos em diferentes cidades.
A definição dos trajetos provocou divergências entre organizadores e autoridades. Em Toulouse, os sindicatos mantiveram o percurso planejado. Em Bordeaux, houve acordo para marchar pelo centro, mas algumas ruas comerciais ficaram fora da área autorizada. Em Lyon, a Justiça confirmou a proibição policial de manifestações no centro e a adoção de um itinerário alternativo. Em Paris, o tribunal administrativo validou na quarta-feira o trajeto entre as praças da República e da Nação proposto pela prefeitura de polícia, apesar da oposição dos organizadores. Dirigentes sindicais criticaram a decisão, mas disseram que orientariam os participantes a seguir o percurso permitido.
Sophie Binet, secretária-geral da CGT, acusou o governo de promover uma “deriva autoritária” e restringir gradualmente as liberdades de manifestação. O Sindicato da Magistratura, o Sindicato dos Advogados da França e a Liga dos Direitos Humanos também criticaram as restrições e recorreram ao Conselho de Estado. Novos atos estão previstos: os coletes amarelos convocaram uma manifestação para sábado na Praça da Concórdia, em Paris, embora proibida pelas autoridades. Para o fim de novembro, o grupo anunciou ações contra o custo de vida com sindicatos e associações de moradia da Itália, Portugal, Espanha, Bélgica, Grécia e Reino Unido. A mobilização desta quinta é vista como um teste da capacidade sindical de ampliar a pressão sobre o governo para além dos salários.








