
Oposição pede impeachment de Santiago Peña após crise bancária que congelou contas de milhões de paraguaios. (Foto: Instagram)
Deputados da oposição no Paraguai protocolaram, na quarta-feira (4), um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. A iniciativa ocorreu após o escândalo bancário que, na terça-feira (3), deixou cerca de 3 milhões de pessoas com as contas congeladas. O documento conta com 35 assinaturas, e sua análise está prevista para quinta-feira (5).
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O deputado Mauricio Espínola, dissidente da base governista, informou que o pedido foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados. Ele também confirmou que a sessão para discutir o processo está marcada para quinta-feira (5). A medida aumentou a pressão política sobre Peña em meio às consequências da crise bancária.
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A tensão cresceu depois que o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no Ueno Bank, um dia antes do protocolo do pedido, devido a uma grave insuficiência de capital. As autoridades monetárias deram início à dissolução da instituição, levantando dúvidas sobre o destino de economias que totalizam centenas de milhões de dólares.
A decisão teve impacto imediato nos serviços digitais do banco: saques e transferências foram suspensos. O Banco Central também ordenou a interrupção dos resgates em vários fundos de investimento ligados à instituição. O congelamento das contas atingiu cerca de 3 milhões de pessoas.
No pedido apresentado à Câmara, os autores afirmam que Peña deve responder por “mau desempenho de suas funções no exercício do cargo”. Entre os argumentos citados estão “conflito de interesses” e a evolução do patrimônio do presidente. Para que a proposta avance na Câmara, são necessários 53 votos dos 80 deputados.
Se aprovada pelos deputados, a iniciativa segue para o Senado. A destituição dos governantes poderá ocorrer caso o julgamento obtenha 30 votos entre os 45 senadores. Peña ocupa a Presidência desde 2023 e tem mandato previsto até 2028. Ele possuía ações de um grupo que controlava o Ueno, mas se desvinculou da empresa em 2025.
O caso também provocou tensão nas ruas de Assunção, onde paraguaios foram cobrar explicações. O Partido Colorado, legenda de Peña, tem maioria no Congresso, mas é comandado pelo ex-presidente Horacio Cartes, que está afastado do atual presidente. Cartes deverá ter influência na definição da posição da base governista.
