Site icon Jetss BR

PEC da Segurança pode deixar cidades sem repasses por falta de dados das guardas


PEC da Segurança Pública pode estabelecer critérios para repasses às guardas municipais. (Foto: Instagram)

A aprovação da PEC da Segurança Pública deve levar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a estabelecer critérios para distribuir recursos às guardas municipais. Embora o texto inclua essas corporações no sistema constitucional de segurança e permita acesso a verbas federais do Fundo Nacional de Segurança Pública, faltam informações sobre efetivos, atuação e custos. Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 465 cidades com guardas não declararam despesas na área em 2023.

++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

O levantamento abrange 1.384 municípios com guardas próprias no país. Entre os que não informaram gastos estão corporações com 12.712 agentes armados em patrulhamento urbano, responsáveis pelo atendimento a 14,6 milhões de moradores. Apesar de atuarem nas cidades, esses agentes não aparecem nos balanços do Tesouro Nacional, o que dificulta à União saber como o serviço é organizado e financiado.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

A falha está relacionada aos registros no Siconfi, sistema oficial de contas municipais. Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum, afirma que a ausência de dados impede a elaboração de critérios técnicos para a divisão dos recursos. Sem registros, diz ele, a União não consegue verificar as contas das prefeituras antes de firmar convênios ou liberar verbas. Lima questiona como definir o financiamento se os próprios municípios não informam quanto custa manter suas guardas.

Osasco, na Grande São Paulo, é um exemplo citado no estudo. O município tem 701 mil habitantes e 503 guardas municipais em serviço, além de viaturas e armas utilizadas no patrulhamento diário. Ainda assim, declarou despesa zero em segurança pública em 2023. Segundo o texto, os gastos podem ser contabilizados em outras áreas, como administração ou urbanismo, fazendo com que a corporação não apareça nos registros oficiais.

A falta de informações preocupa especialmente nas cidades do interior, que dependem mais de transferências federais. Nos municípios com guardas sem registro, 6,5% da receita vem de tributos próprios, contra 14% nas cidades que informam os dados corretamente. Já o Fundo de Participação dos Municípios representa 32,2% da receita dessas localidades.

Lima avalia que a omissão pode barrar o acesso aos repasses ou tornar a distribuição sujeita a disputas políticas. Para ele, sem critérios, a emenda pode funcionar como um “cheque em branco” para prefeitos, com o risco de que a liberação de dinheiro dependa de alinhamento com o governo, e não da atuação das guardas.

O Fórum defende regras contábeis obrigatórias para as prefeituras, treinamento oferecido pelo governo federal e padronização do registro de salários e contratos de vigilância. Relator da PEC, Rogério Carvalho (PT-SE) reconhece a dificuldade de consolidar os dados, mas afirma que a regulamentação definirá exigências de transparência e comprovação da capacidade financeira dos municípios. Ele diz ainda que as polícias municipais deverão cumprir requisitos de formação, capacidade e avaliação periódica. Cada prefeitura terá de demonstrar que pode manter sua corporação para que os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública cheguem a quem atua no patrulhamento.

Exit mobile version