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Pesquisador da USP morre baleado em carro na Rodovia Presidente Dutra, no RJ


Pesquisador da USP morre após ser baleado dentro de carro na Rodovia Presidente Dutra, em Nova Iguaçu. A Polícia Civil pediu a prisão temporária do suspeito. (Foto: Instagram)

Daniel Oliveira de Andrade, pesquisador da Universidade de São Paulo, morreu após ser atingido por um tiro dentro de um carro na Rodovia Presidente Dutra, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Segundo familiares, o jovem de 28 anos dormia quando foi baleado, no último dia 31.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou o homem apontado como autor dos disparos e pediu a prisão temporária dele. A corporação informou que o suspeito foi intimado a depor, mas não compareceu, e que a investigação continua para esclarecer o caso, apurado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).

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A Polícia Militar comunicou que a 3ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), ligada à Corregedoria Geral da corporação, abriu procedimento para examinar as circunstâncias da ocorrência. Familiares disseram nas redes sociais que Daniel estava no carro com dois amigos e que o veículo foi alvo de quatro tiros. O pesquisador e um dos passageiros dormiam no momento.

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De acordo com a Polícia Civil, relatos apontam que os disparos aconteceram depois de um desentendimento no trânsito. A família, porém, contesta essa versão. Paulo Henrique Oliveira, irmão de Daniel, contou que um carro se aproximou atrás deles e acionou o pisca-alerta para que saíssem da frente de um caminhão. Depois que o veículo passou o caminhão, o carro em que estavam acelerou para ultrapassar os dois, e foi atingido. Paulo afirma que o autor dos tiros foi embora sem prestar socorro.

Os familiares também acusam o Instituto Médico Legal (IML) de cobrar R$ 1.000 para liberar o corpo de Daniel. Segundo o irmão, após uma negociação, a quantia teria sido reduzida a R$ 700. Ele afirmou que a família pagou pela liberação, embora considere que o procedimento deveria ser gratuito. A Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou que vai apurar a denúncia e alertou que a apresentação deliberada de informações falsas para atribuir um crime pode configurar denunciação caluniosa.

Daniel era professor de matemática na Educação Básica e cursava o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Matemática do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da USP (IME-USP). Ele defendeu sua dissertação de mestrado em 19 de outubro. A coordenadora do programa, Ana Paula Jahn, lamentou a morte e o descreveu como um estudante brilhante, dedicado e comprometido com a formação. Mesmo trabalhando em tempo integral, ele concluiu o mestrado antes do prazo e com excelente desempenho.

A pesquisa de Daniel era voltada à educação matemática antirracista e, segundo Ana Paula, refletia seu compromisso com uma educação mais justa e com a transformação social. Ela também destacou sua participação nas discussões, a cordialidade e o respeito no convívio com professores e colegas. Durante o mestrado, ele esteve em eventos e congressos da área e planejava fazer doutorado. A coordenadora recordou que ele tinha apreço pelo IME-USP e comentava o quanto havia lutado para chegar ao Instituto e como se sentia realizado ali. Nas redes sociais, uma ex-aluna lamentou a perda e escreveu que Daniel foi o melhor professor que já teve e que acreditou em seu potencial.

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