Site icon Jetss BR

Trump pode sofrer impeachment com oposição majoritária no Congresso? Especialistas explicam


Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições de meio de mandato, impondo uma derrota política a Donald Trump e ao Partido Republicano. (Foto: Instagram)

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, representaram uma derrota histórica para o presidente Donald Trump e o Partido Republicano. Os democratas conquistaram a maioria das cadeiras na Câmara dos Representantes e também avançaram no Senado, alterando a composição do Congresso.

++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

Até as 18h30 de quarta-feira, os democratas haviam obtido 54 das 100 cadeiras do Senado, contra 44 dos republicanos. Na Câmara, foram eleitos 237 representantes da oposição e 139 integrantes do partido de Trump; outras 59 vagas ainda estavam em disputa. Com esse cenário, especialistas avaliam que o presidente pode enfrentar pedidos de impeachment, mas sua destituição exige o apoio de dois terços do Senado.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

Trump já passou por dois processos de impeachment durante o primeiro mandato e foi absolvido em ambos. O primeiro foi aberto em setembro de 2019, sob acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso. O caso envolvia a suspeita de que o presidente pressionou Volodymyr Zelensky, então presidente da Ucrânia, a investigar Hunter Biden, filho de Joe Biden, que à época era candidato à Presidência.

A Câmara dos Deputados aprovou o processo em dezembro de 2019 e o encaminhou ao Senado. Em fevereiro de 2020, às vésperas da pandemia de covid-19, Trump foi absolvido pela maioria dos votos. O segundo processo ocorreu em janeiro de 2021, quando ele foi acusado de incitar uma insurreição após seus apoiadores invadirem o Congresso, em 6 de janeiro, tentando impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden. Trump foi absolvido novamente em fevereiro e se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos a sofrer dois processos de impeachment.

Para Josemar Franco, cientista gerente de Comércio Internacional da BMJ Consultores, é improvável que Trump enfrente um novo processo logo no início da legislatura. A principal barreira para afastá-lo seria a necessidade de 67 votos no Senado. Franco afirma que ainda é preciso acompanhar os próximos passos da maioria democrata na Câmara e no Senado.

O especialista lembra que o artigo 2, seção 4, da Constituição dos Estados Unidos prevê a possibilidade de impeachment por traição, suborno, corrupção ou outros crimes graves e contravenções. A formulação permite certa subjetividade na abertura de um processo, mas, segundo Franco, a exigência de apoio de dois terços dos senadores dificulta a conclusão de um afastamento.

Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em Análise de Política Internacional, também considera difícil a destituição. Na avaliação dela, seria necessário um risco sério à segurança dos Estados Unidos ou que republicanos independentes se unissem aos democratas para votar contra Trump. Ela ressalta que ainda é cedo para prever um novo processo e que as duas tentativas anteriores, sem sucesso, fortaleceram a narrativa do presidente.

Franco acrescenta que os democratas eleitos devem priorizar resultados concretos, sobretudo em temas como custo de vida e combate à inflação. Em vez de concentrar esforços na abertura de um impeachment, poderiam fiscalizar as medidas do governo e tentar aprovar projetos para reduzir a pressão inflacionária. O especialista prevê que políticas de Trump continuarão a ser implementadas por causa de sua autoridade, mas que a supervisão do governo também deverá se intensificar.

Exit mobile version