Japão/BoJ: membros citam receio inflacionário e defendem alta dos juros em ata de maio

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Interior moderno do Banco do Japão em Tóquio com vista panorâmica da cidade. (Foto: Instagram)

Em ata divulgada em 4 de agosto de 2026 pela Bacci Notícias, os dirigentes do Banco do Japão (BoJ) manifestaram apreensão quanto ao avanço da inflação ao consumidor nos próximos meses, motivada por uma intensificação nos reajustes de preços registrada na segunda metade do ano fiscal japonês. O registro detalha as discussões travadas durante a reunião de política monetária de maio, evidenciando as principais preocupações do comitê sobre a dinâmica de custos e preços na economia do país.

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De acordo com a ata, vários conselheiros avaliaram que o repasse de custos e novos aumentos de tarifas por parte de empresas devem sustentar a pressão inflacionária a partir do segundo semestre do ano fiscal, reduzindo o poder de compra das famílias. Esse cenário, segundo o documento, pode se intensificar conforme se consolidam as medidas de reajuste de preços em setores como alimentos, energia e serviços, onde as empresas já sinalizaram a necessidade de repor margens de lucro.

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O relatório interno aponta que as expectativas de inflação de empresas e famílias avançaram para aproximadamente 2%, nível que, segundo os dirigentes, sinaliza uma mudança relevante no comportamento de preços e salários e pode influenciar decisões futuras de política monetária. A elevação desse indicador foi considerada um termômetro importante para avaliar até que ponto o BoJ precisará ajustar a condução dos juros para conter a escalada inflacionária.

Ainda segundo o texto, houve um debate mais intenso sobre o ritmo e o tamanho dos aumentos da taxa de juros, bem como sobre o momento adequado para aproximar o custo do crédito a uma postura considerada “neutra” e equilibrada. A discussão incluiu também a necessidade de reduzir de forma gradual o balanço patrimonial do banco central, afastando o risco de uma política excessivamente estimulativa.

No meio das deliberações, alguns membros defenderam que o BoJ mantenha o guidance – as diretrizes públicas sobre os rumos da política monetária – e prossiga com novas elevações de juros, desde que a atividade econômica e a evolução dos preços estejam alinhadas com as projeções do comitê. Outros participantes ressaltaram que a credibilidade da autoridade monetária dependerá da coerência entre as mensagens divulgadas e as decisões adotadas.

A ata registra ainda as deliberações acerca da redução gradual das compras de títulos do governo japonês, tema que, segundo alguns conselheiros, tem sido debatido sobretudo em relação ao porte do corte, mas cujo foco deve migrar para a duração total do programa. Na reunião de maio, o BoJ optou por manter a taxa de juros em 0,75% ao ano.