Governo critica revogação de visto de embaixadora e acusa EUA de tentar interferir na eleição

Posted by


Torcedor brasileiro ergue bandeira da seleção em estádio (Foto: Instagram)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Em comunicado divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) na noite desta terça-feira, 4, o Planalto classificou a medida como parte de “uma escalada deliberada de ações hostis ao Brasil” e acusou Washington de buscar interferir no pleito presidencial marcado para outubro. A nota ressalta que essa não é uma ação isolada, mas sim um movimento motivado por divergências ideológicas e antagônicas à tradicional parceria bilateral.

++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online

Na nota, a Secom questiona a veracidade dos dois argumentos apresentados pelo Departamento de Estado americano para justificar a revogação do visto de Viotti. Primeiro, o governo brasileiro afirma que os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome do diplomata Daniel Perez como indicado à embaixada em Brasília antes mesmo de formally solicitar o agrément — o aceite oficial concedido pelo país receptor. Em segundo lugar, o Planalto destaca que não existe prazo estabelecido pelo direito internacional para a concessão desse aval, e que o pedido de Perez ainda se encontra em análise pelas autoridades brasileiras.

++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein

Por sua vez, os Estados Unidos sustentam que o governo Lula estaria criando obstáculos intencionais para impedir Daniel Perez de assumir suas funções na capital brasileira, o que teria motivado a retirada do visto de Viotti como retaliação. Autoridades norte-americanas alegam que a demora no agrément constitui um impedimento inaceitável ao trabalho diplomático e uma violação de práticas habituais entre países parceiros, colocando em risco o relacionamento bilateral.

Além disso, o Planalto informou que revogou os vistos de entrada no Brasil de dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano, Riley Barnes e Samuel Samson. Segundo a Secom, ambos planejavam visitar o País com o objetivo de “colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro”, em uma tentativa considerada “inaceitável” de interferir no processo político nacional.

A nota da Secom também destaca que outros representantes do governo brasileiro continuam com vistos negados pelos Estados Unidos, sob a justificativa de suposta perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O texto menciona que o próprio Lula, durante sua visita a Washington em maio, solicitou ao então presidente Donald Trump o levantamento das sanções individuais impostas a esses integrantes da equipe brasileira, sem obter sucesso nas negociações.

Por fim, o governo brasileiro manifestou que pretende se posicionar contra a postura de confrontação adotada pelo presidente norte-americano e reforçou que manterá o diálogo e a negociação como fundamentos centrais de sua política externa. O Planalto afirmou estar empenhado em preservar o respeito mútuo e a cooperação histórica entre Brasil e Estados Unidos, mesmo diante das divergências recentes.