
Copom anuncia redução da Selic para 14% ao ano (Foto: Instagram)
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera adequada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, anunciada em 5 de agosto. Segundo a entidade, a diminuição confere um leve alívio ao custo do crédito, mas não atinge a magnitude necessária para impulsionar de fato a recuperação da atividade industrial. O recuo de 0,25 ponto percentual é visto como positivo, porém insuficiente diante do cenário de pressões econômicas persistentes.
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O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressalta que não há "justificativa compreensível" para manter a taxa de juros em patamar tão elevado. Na visão dele, o ajuste processado pelo Banco Central ainda mantém barreiras que afetam investimentos e expansão da produção, especialmente num momento de incertezas do mercado internacional. Alban ainda destaca que os custos financeiros elevados restringem a capacidade de empresas planejarem novos projetos e ampliarem a geração de empregos.
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A CNI chama atenção também para o impacto do crédito caro sobre as famílias brasileiras, cuja capacidade de consumo está pressionada por níveis recordes de endividamento e inadimplência. Com juros altos, o orçamento doméstico destina parcela significativa à amortização de dívidas e pagamento de financiamentos, comprometendo a demanda por bens industriais e serviços. O cenário dificulta a recuperação dos setores de bens duráveis e do comércio ligado aos produtos fabricados no país.
Desde janeiro de 2022, a taxa Selic permanece em nível considerado restritivo pela indústria, totalizando 55 meses nessa condição. Em contraste, muitos países têm adotado políticas monetárias mais celeres para acomodar o estímulo à atividade econômica. A manutenção desse patamar prolongado reforça as preocupações da CNI quanto à falta de fôlego para investimentos de médio e longo prazo, essenciais para modernização de processos e aumento de produtividade no setor produtivo nacional.
Outro ponto destacado pela CNI é o descompasso entre a Selic atual e a taxa sugerida pela Regra de Taylor. Conforme estimativas, a taxa "neutra" calculada pela regra está em torno de 10,4%. Assim, a Selic vigente apresenta desvio de 3,6 pontos percentuais acima desse nível, o que indica espaço para cortes adicionais sem descontrole da inflação. A regra de Taylor serve de referência para equilibrar o controle inflacionário com o crescimento econômico.
Para a Confederação Nacional da Indústria, cortes mais profundos na Selic seriam fundamentais para destravar investimentos e restabelecer condições mais favoráveis ao setor produtivo. A entidade defende que novos ajustes, aliado a políticas fiscais coordenadas, podem reduzir custos de financiamento, reequilibrar o endividamento das famílias e estimular a retomada da produção. No curto prazo, o recuo de 0,25 ponto pode ser apenas o primeiro passo rumo a uma recuperação mais sustentável do setor.








