Pai perde 38 kilos para doar parte do fígado e tentar salvar seu filho

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Harry Jackson, de seis anos, passou por um transplante após enfrentar complicações decorrentes de uma má rotação intestinal e de uma doença hepática associada à insuficiência intestinal. Para tentar salvar o filho, o pai, Gary Jackson, perdeu 38 kg antes de realizar uma cirurgia de 17 horas, em janeiro de 2025, na qual doou cerca de 20% do fígado e 1,5 metro do intestino delgado ao menino.

O pequeno nasceu com má rotação intestinal, uma anomalia que ocorre durante o desenvolvimento do bebê no útero. A condição poderia levar a um vólvulo, situação em que o intestino se torce e interrompe o fluxo sanguíneo da região. Além disso, ao longo dos anos, o menino desenvolveu uma doença hepática associada à insuficiência intestinal (IFALD), causada pela necessidade prolongada de receber alimentação intravenosa para controlar o quadro.

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Diante da evolução da condição, os médicos se reuniram com os pais de Harry, Gary Jackson e Annie Cerveno, para discutir a possibilidade de um transplante e avaliar se algum dos dois poderia ser um doador compatível. Os exames mostraram que Gary apresentava 98% de compatibilidade com o filho no antígeno leucocitário humano (HLA), indicando uma grande semelhança entre os sistemas imunológicos dos dois.

Com a compatibilidade confirmada, o pai passou pelo procedimento em janeiro de 2025. Durante 17 horas de cirurgia, Gary doou aproximadamente 20% do próprio fígado e 1,5 metro do intestino delgado para Harry. As informações são da Sky News.

Após o transplante, Gary falou sobre a experiência de poder participar diretamente do tratamento do filho: “Continua sendo o maior privilégio da minha vida. Ver a recuperação dele e saber que pude desempenhar um papel tão importante em dar-lhe essa oportunidade é algo que nunca conseguirei descrever completamente em palavras”.

Annie contou que, antes da situação se tornar urgente, ela e o marido imaginavam que a necessidade de um transplante ainda estava distante. “Como pais, nos sentimos completamente impotentes ao ver nosso filho esperando por algo tão incerto”, disse.

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A mãe também explicou por que os dois decidiram investigar imediatamente a possibilidade de serem doadores: “A ideia de que um de nós pudesse doar e dar a Harry essa oportunidade era algo que queríamos explorar imediatamente. Se houvesse alguma possibilidade de o ajudarmos nós mesmos, tínhamos que tentar”.

Segundo Miriam Cortes-Cerisuelo, cirurgiã consultora de transplante de fígado e chefe clínico de cirurgia de transplante no King’s College Hospital, onde o procedimento de Harry foi realizado, apenas três em cada 100 transplantes de fígado feitos no Reino Unido são realizados com doadores vivos.

Para a médica, esse tipo de procedimento apresenta vantagens relacionadas à qualidade do órgão e à preparação da cirurgia: “O órgão doado é de excelente qualidade, proveniente de um doador saudável, e o processo permite uma melhor preparação e planejamento para a cirurgia”.

O caso de Harry também se destaca pela combinação dos órgãos transplantados. De acordo com Miriam, procedimentos realizados com doadores vivos envolvendo simultaneamente fígado e intestino delgado são extremamente raros: entre os casos que envolvem crianças, existem apenas dez registros desse tipo em todo o mundo.