
Tubarões na Ilha de Eleuthera, Bahamas, expostos a contaminantes humanos em águas antes tidas como preservadas. (Foto: Instagram)
Um estudo publicado pela revista Environmental Pollution detectou traços de cocaína, cafeína e diversos medicamentos no sangue de tubarões na Ilha de Eleuthera, nas Bahamas, até então considerada uma área de baixo impacto humano. A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional, sinaliza a presença de contaminantes emergentes que invadiram águas antes tidas como preservadas.
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Além da cocaína e da cafeína, os cientistas encontraram no organismo dos animais resíduos de diclofenaco (anti-inflamatório) e acetaminofeno (paracetamol). Três das cinco espécies estudadas apresentaram concentrações detectáveis dessas substâncias: o tubarão-recifal-do-caribe (Carcharhinus perezi), o tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) e o tubarão-limão (Negaprion brevirostris). Esses achados confirmam que os compostos químicos são biodisponíveis, ou seja, circulam livremente no ecossistema marinho.
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A exposição contínua a esses contaminantes de preocupação emergente (CECs) provocou respostas fisiológicas nos tubarões, com alterações significativas nos níveis sanguíneos de triglicerídeos, ureia e lactato. Essas mudanças podem indicar estresse metabólico e possíveis danos em órgãos vitais.
Segundo os pesquisadores, estimulantes como cocaína e cafeína estão relacionados ao acúmulo de lactato e ao desequilíbrio no metabolismo lipídico, processo que abrange digestão, absorção, transporte e utilização de gorduras como fonte de energia. Em outros vertebrados, tais distúrbios já mostraram impactar diretamente funções renais e hepáticas, o que sugere riscos semelhantes para as populações de tubarões.
Os autores apontam que o crescimento do turismo e a expansão urbana nas Bahamas elevaram o volume de águas residuais lançadas no mar, muitas vezes sem tratamento adequado. Esse descarte irregular, sobretudo em zonas de novos empreendimentos imobiliários, vem intensificando a contaminação ambiental.
Embora Eleuthera seja reconhecida por sua biodiversidade e por limitar impactos antrópicos, o estudo reforça a necessidade de implementar com urgência políticas de conservação e gestão ambiental. A adoção de estratégias mais rigorosas pode frear a propagação de poluentes e proteger a fauna marinha local.







