Testemunhas de Jeová alteram diretriz controversa sobre doação de sangue

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Testemunhas de Jeová autorizam autotransfusão em cirurgias agendadas (Foto: Instagram)

Em uma decisão que repercute internacionalmente, a liderança global das Testemunhas de Jeová divulgou uma atualização inédita em suas diretrizes médicas, considerada um marco na história da religião. Pela primeira vez, os fiéis poderão optar por procedimentos de coleta, armazenamento e posterior devolução do próprio sangue durante cirurgias agendadas. Gerrit Losch, membro do corpo diretor da organização, detalhou a mudança em entrevista à CNN, ressaltando que a medida reflete uma abordagem mais flexível, porém ainda alicerçada na doutrina sobre a santidade do sangue.

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Na prática, a norma passa a permitir que o paciente realize a prévia retirada de seu próprio sangue antes de uma intervenção cirúrgica, armazenando-o para posterior reimplante durante o procedimento. Segundo a orientação revisada, essa autotransfusão torna-se uma “responsabilidade individual” de cada cristão, que deverá avaliar pessoalmente os riscos e benefícios. Grupos regionais oferecerão orientação técnica e espiritual antes de qualquer decisão, garantindo que o fiel tenha acesso a informações suficientes para aderir ou recusar o novo protocolo.

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No Brasil, onde residem aproximadamente 900 mil seguidores das Testemunhas de Jeová, a alteração surpreendeu grande parte da comunidade. Tradicionalmente, a proibição ao uso de sangue era vista como um dos pilares mais rígidos da fé. Líderes locais explicaram que a crença na “santidade do sangue” permanece intacta, mas que agora haverá espaço para casos específicos nos quais o componente sanguíneo possa ser recolhido e devolvido ao próprio paciente sem recorrer a doações externas.

Por outro lado, a prática de aceitar transfusões de sangue de doadores continua vedada, sem qualquer mudança. A organização enfatiza que a nova regra não altera a recusa a hemoderivados ou componentes sanguíneos externos em nenhuma circunstância. Segundo os dirigentes, a revisão apenas introduziu flexibilidade técnica para procedimentos programados, mantendo inabalável a convicção de que o sangue, como elemento vital, não deve ser trocado entre pessoas diferentes.

Entretanto, a decisão tem gerado questionamentos. Ex-membros do grupo e especialistas em bioética criticam a medida por oferecer benefício limitado a situações eletivas, sem ajudar pacientes em emergências ou em casos de trauma grave, nos quais não há tempo hábil para coletar e armazenar o próprio sangue. Para esses profissionais, a atualização pode até reduzir riscos em cirurgias planejadas, mas não resolve o dilema enfrentado em atendimentos de urgência, quando a autotransfusão não é viável.