Petrobras prioriza África em busca de oportunidades, não considera Venezuela, diz diretora

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Sylvia dos Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, fala durante painel no ROG.e 2026, no Rio de Janeiro. (Foto: Instagram)

A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, afirmou nesta quarta-feira (23.set.2026), durante o evento ROG.e 2026, no Rio de Janeiro, que a estatal está voltando seus esforços de expansão internacional para a África, descartando por ora um avanço sobre a Venezuela. A executiva participou de um painel voltado à inovação e às estratégias de exploração da companhia.

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Questionada sobre uma possível entrada no mercado venezuelano, Sylvia foi enfática: “Olhando não. Eu estou olhando a África”. A Venezuela tem atraído interesse de grandes petroleiras desde a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, em janeiro. Após esse episódio, o governo americano incentivou novos investimentos, e empresas como Chevron e Eni ampliaram suas operações no país, enquanto a ExxonMobil negocia retornar após quase 20 anos de ausência.

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Segundo Sylvia, as equipes técnicas da Petrobras estão atualmente analisando todas as áreas que a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique (ENH) pretende disponibilizar, de modo a estar pronta para qualquer leilão futuro. “Estamos estudando todos os blocos que a ENH quer disponibilizar. O meu time está estudando. E aí a gente vê o próximo leilão para a gente estar pronto”, declarou a diretora.

Na terça-feira (22.set.), a Petrobras firmou um memorando de entendimento com a ENH com validade inicial de dois anos. O acordo prevê cooperação em estudos, avaliação, desenvolvimento e comercialização de petróleo e gás, além da troca de conhecimento técnico entre as empresas.

A reaproximação com Moçambique integra uma estratégia mais ampla de retorno ao continente africano iniciada em 2024, em São Tomé e Príncipe. Hoje, a Petrobras atua nos blocos 10, 11, 13 e 4 do país e, neste ano, assumiu a operação do bloco 3 com 75% de participação. Além disso, a estatal detém 10% de um bloco na Bacia de Orange, na África do Sul, e assinou contrato para adquirir 42,5% de um bloco na Namíbia.

Na semana passada, a companhia ampliou sua carteira africana ao assinar contratos de partilha para oito blocos offshore na Costa do Marfim, onde terá 90% de participação e atuará como operadora ao lado da Petroci.

Ao anunciar o acordo na Namíbia, Sylvia destacou o amplo conhecimento geológico da Petrobras sobre a região, resultado de décadas de pesquisa na margem brasileira do Atlântico. Ela apontou que as características geológicas da Bacia de Lüderitz, na Namíbia, são semelhantes às da Bacia de Pelotas, no Sul do Brasil, reforçando o potencial de replicar dados acumulados em interpretações de novos blocos africanos.