Para quem vê de fora, o Brasil é um país tranquilo, que não se envolve em guerras ou conflitos armados militares. Porém, quando olhamos para os números da violência nas ruas brasileiras, nos deparamos com dados assustadores que, se apresentados sem contexto, facilmente poderiam fazer alguém entender que o país estava em guerra. Em 2025, o mundo registrou números recordes de conflitos armados. Segundo o Uppsala Conflict Data Program (UCDP), foram 65 conflitos envolvendo Estados, o maior número desde o início da série histórica, em 1946.
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Desse total, 13 foram classificados como guerras. Ao todo, aproximadamente 244,6 mil pessoas morreram em episódios de violência organizada durante o ano. A guerra entre Rússia e Ucrânia foi considerada a mais letal de 2025, com cerca de 94,7 mil mortes. Como exercício matemático, dividir esse número igualmente entre os dois lados representaria 47.350 mortes para cada país. Agora, quando olhamos para o Brasil, encontramos outro número que impressiona.
O país registrou 40.775 Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, categoria que reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Parte da violência brasileira também está relacionada à atuação de organizações criminosas, especialmente facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Disputas por territórios, mercados ilegais e rotas do tráfico estão entre os fatores associados à violência praticada por grupos criminosos em diferentes regiões do país.
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Existe, porém, um paradoxo. Mesmo com mais de 40 mil mortes violentas, 2025 apresentou a menor taxa de MVI desde 2012: 19,1 mortes por 100 mil habitantes, uma queda de 8,2% em relação ao ano anterior. Ou seja, o Brasil alcançou seu melhor resultado histórico nessa série, mas ainda registrou dezenas de milhares de mortes violentas em apenas um ano. Os números mostram uma melhora importante, mas também revelam que a violência continua sendo um dos grandes desafios enfrentados pela sociedade brasileira.
















