
Benício Xavier em momento de alegria antes da tragédia (Foto: Instagram)
A Polícia Civil do Amazonas concluiu que a médica Juliana Brasil encomendou e pagou pela produção de um vídeo manipulado para respaldar a tese de que uma falha no sistema eletrônico do Hospital Santa Júlia teria provocado o erro na prescrição de adrenalina que levou à morte do menino Benício Xavier, de seis anos, em Manaus. Laudos periciais e a análise do celular da acusada foram fundamentais para comprovar a adulteração.
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A gravação apresentada pela defesa indicava que o sistema do hospital teria alterado automaticamente a via de administração do medicamento, mesmo quando o prontuário eletrônico registrava outra via. No entanto, perícias técnicas e as mensagens extraídas do aparelho celular da médica mostraram que o material foi editado e não reflete o funcionamento real do software.
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Mensagens recuperadas pelas autoridades revelam que Juliana Brasil buscou profissionais de edição de vídeo poucos dias após o óbito de Benício, ocorrido em 23 de novembro de 2025. Em áudios e conversas de texto, ela detalha a necessidade de alguém gravar imagens simulando o erro do sistema e depois incorporá-las ao material que seria usado pela defesa.
O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia, afirmou que as provas de adulteração reforçam a suspeita de dolo eventual na conduta da médica, isto é, a assunção do risco de causar a morte sem intenção direta de matar. Segundo ele, o fato de Juliana mencionar expressamente o recebimento de um vídeo já alterado serviu como elemento significativo no inquérito.
Outra linha de investigação mira conversas trocadas por Juliana durante o atendimento na Sala Vermelha, área destinada a pacientes em estado crítico. Conforme os investigadores, registros mostram que ela comentava sobre a venda de cosméticos com colegas enquanto Benício apresentava sinais de agravamento, o que indicaria comportamento indifferente diante do quadro grave da criança.
O inquérito apontou erro na prescrição e na forma de aplicação da adrenalina: em vez de ser administrada por via intramuscular e em diluição apropriada, o medicamento foi aplicado diretamente na veia, contrariando o protocolo indicado para a condição clínica do menino. A técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação, também figura como investigada no caso.
Por decisão judicial, Juliana Brasil e Raiza Paiva estão afastadas de suas funções na área da saúde por 12 meses, sem prisões até o momento. Em depoimento, a médica admitiu a falha na prescrição, mas manteve que o suposto travamento do sistema ocasionou a troca automática da via. A investigação segue, com mais de 20 pessoas já ouvidas, incluindo profissionais de saúde, pais de Benício e representantes do hospital.







