
Esquilo mastiga ponta de cigarro eletrônico e alerta para riscos ambientais (Foto: Instagram)
Um esquilo viralizou nas redes sociais nesta quarta-feira (25) ao ser flagrado mastigando a ponta de um cigarro eletrônico em plena luz do dia. O episódio aconteceu no bairro de Brixton, em Londres, capital do Reino Unido, e despertou surpresa e indignação entre internautas. No vídeo compartilhado, é possível ver o pequeno roedor carregando o aparelho e levando-o à boca como se quisesse consumi-lo. A gravação acumula milhares de visualizações em diferentes plataformas digitais, gerando debate sobre o descarte inadequado de vapes na natureza.
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Kay Haw, especialista e diretor da organização UK Squirrel Accord, que dedica-se à proteção dos esquilos vermelhos e à preservação de áreas florestais na Inglaterra, comentou ao jornal Daily Mail que o aroma fruitado do dispositivo pode ser o principal atrativo para o animal. Segundo ele, fragmentos do aroma ou resíduos do líquido interno do vape permanecem no aparelho e despertam a curiosidade dos roedores, que podem confundi-lo com alimento. “É provável que o cheiro forte, especialmente dos sabores doces, incentive o esquilo a roer a ponta em busca de algo comestível”, afirmou Haw.
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Para a cientista Evie Button, que estuda comportamento animal em ambientes urbanos, a explicação de Haw faz sentido. Ela salienta que os resíduos de essências podem se fixar no corpo do vape por longos meses. “Eu mesma tenho um dispositivo guardado que, mesmo após três meses sem uso, ainda exala cheiro de mirtilo. Esse odor persistente é capaz de atrair diversos animais curiosos”, explicou Button, responsável por estudos sobre atração olfativa em mamíferos silvestres.
Button ressalta que o caso do esquilo é apenas um exemplo do número crescente de incidentes envolvendo animais domésticos e selvagens atraídos por resíduos de cigarros eletrônicos. “Desde 2017, recebemos 680 ligações de tutores de pets interessados no líquido dos vapes. Todos os relatos envolviam cães que, muitas vezes, chegam a ingerir o conteúdo atraídos pelo aroma adocicado”, acrescentou a pesquisadora.
O especialista também advertiu para os perigos do descarte inadequado desses aparelhos. Haw ressaltou que a presença de metanol, propilenoglicol e outros compostos tóxicos pode prejudicar a saúde dos animais silvestres. “Vídeos como este são um alerta sobre os riscos que os resíduos de cigarros eletrônicos representam ao meio ambiente e à fauna local”, concluiu.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe desde 2009 a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), incluindo vapes. A restrição foi mantida em 2024, após avaliação de potenciais riscos à saúde humana e ambiental.
Em janeiro de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação com o objetivo de questionar a proibição dos DEFs e propor um modelo de controle rigoroso, estabelecendo regras claras para produção, rotulagem e fiscalização sob a supervisão da União e da Anvisa.







