Para livrar Lulinha da prisão, Lula exonera ministro da Agricultura e reforça base

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Lula e Fávaro selam manobra política para fortalecer base na CPMI do INSS (Foto: Instagram)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou nesta sexta-feira (27) o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, numa articulação política para alterar a composição da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e consolidar o apoio ao governo em uma votação decisiva. A manobra ocorreu na véspera da votação do relatório que pede o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e visa ampliar a capacidade de rejeitar o parecer apresentado pelo relator da comissão.

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Com a exoneração, Fávaro reassume automaticamente sua cadeira no Senado, o que resultou na destituição da senadora Margareth Buzetti (PP-MT), sua suplente e integrante da oposição na CPMI. O primeiro suplente, Beto Faro (PT-PA), aliado do governo, ocupou a vaga e passou a reforçar o bloco governista dentro do colegiado.

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A CPMI é integrada por 32 parlamentares – 16 deputados e 16 senadores – e necessita de pelo menos 17 votos para aprovar o relatório final. Até então, a oposição apostava em barrar o texto, mas o ingresso de Beto Faro pode elevar a base governista para cerca de 20 apoios, segundo avaliam lideranças nos bastidores, garantindo folga para derrotar o parecer.

O relatório do deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) propõe o indiciamento de mais de 200 pessoas e sugere que a Advocacia do Senado peça à Justiça a prisão preventiva de Lulinha. A proposta se baseia em depoimentos colhidos em inquérito da Polícia Federal, nos quais um ex-funcionário do empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, afirmou que havia o pagamento de uma mesada de R$ 300 mil ao filho do presidente.

Segundo o mesmo depoimento, os recursos seriam destinados a facilitar negócios de venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Antunes está detido sob suspeita de desvio de benefícios previdenciários, mas não há contratos formalizados que comprovem as transações alegadas.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega qualquer irregularidade e critica o relatório por seu caráter político-eleitoral. O advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que não existem provas que vinculem seu cliente às supostas irregularidades e classificou o pedido de prisão preventiva como “injustificado” e motivado por interesses eleitoreiros.

A movimentação na CPMI intensificou a disputa entre governo e oposição, com acusações de interferência direta no processo de votação. Margareth Buzetti declarou ter se sentido desrespeitada e acusou o Planalto de tentar “blindar” Lulinha. A votação do relatório está marcada para até sábado (28), data-limite determinada pelo Supremo Tribunal Federal, que negou prorrogação ao colegiado. Caso o parecer seja rejeitado, a base governista pretende apresentar um texto alternativo antes de encaminhar o resultado a órgãos como o Ministério Público e a Polícia Federal.